
Logística, segurança e programação cultural estão sendo planejadas para sediar conferência que deve reunir até 3 mil participantes de todo o mundo
O Governo de Mato Grosso do Sul e Campo Grande se preparam para viver um momento histórico ao sediar, entre os dias 23 e 29 de março de 2026, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS). O evento, promovido pela ONU (Organização das Nações Unidas), deve reunir entre 2 mil e 3 mil participantes, entre representantes de governos, cientistas, povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações da sociedade civil de diversos países.
Nesta segunda-feira (2), o MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) realizou a primeira coletiva de imprensa sobre a conferência, detalhando o planejamento logístico e institucional para receber o público internacional e destacando a relevância estratégica de sediar a COP no coração do Pantanal.
Presidente da COP15, o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, ressaltou o simbolismo da escolha do Brasil — e de Mato Grosso do Sul — como sede do evento. “É muito simbólico que o Brasil esteja realizando essa conferência, e mais simbólico ainda que seja no Pantanal. O Pantanal é um verdadeiro hub biológico”, afirmou. Segundo ele, o país está no centro das rotas de diversas espécies migratórias, o que torna o debate ainda mais urgente e estratégico.
Capobianco também lembrou que a COP15 será realizada no Dia Internacional das Áreas Úmidas, reforçando a conexão entre o evento e a preservação de ecossistemas fundamentais para a biodiversidade global.
Logística, segurança e cultura no centro do planejamento
O secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, apresentou os detalhes do planejamento do Governo do Estado para receber os participantes. De acordo com ele, uma força-tarefa envolverá diferentes áreas para garantir segurança, mobilidade e conforto desde a chegada dos delegados ao aeroporto.
“Houve articulação com a Secretaria de Segurança Pública para assegurar proteção em todos os deslocamentos, além de conversas com a Aena e companhias aéreas para ampliar o número de voos durante o período da conferência”, explicou Verruck.
A infraestrutura turística também está no centro das ações. O governo estadual mantém diálogo com o sindicato da rede hoteleira, restaurantes e a Secretaria de Cultura para garantir atendimento adequado e, ao mesmo tempo, valorizar a identidade local. Um dos destaques anunciados é a criação de linhas especiais de transporte público, conectando hotéis e pontos estratégicos da cidade ao Bosque Expo, que será transformado em espaço oficial da ONU, a chamada Blue Zone.
Entre as iniciativas culturais, Verruck revelou que o Estado pretende levar a Casa do Artesão para dentro da Blue Zone, permitindo que delegações internacionais tenham contato direto com a produção artesanal sul-mato-grossense. “É uma forma de mostrar nossa cultura, nossa identidade e valorizar quem produz aqui”, afirmou.
Decisões globais que impactam o campo
A secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita, destacou o caráter técnico e estratégico da COP15. Segundo ela, a Convenção sobre Espécies Migratórias trata de animais que cruzam fronteiras e dependem da cooperação internacional para sobreviver.
“De mosquito a baleia, estamos falando de espécies migratórias. Cada uma tem sua importância ecológica, econômica e cultural”, afirmou.
Rita ressaltou ainda que o Brasil ocupa uma posição estratégica nesse cenário global, por ser um hotspot para espécies migratórias, especialmente por abrigar o Pantanal — a maior área úmida continental do planeta. Desde a promulgação da convenção, o país já participou de três Conferências das Partes, com destaque para a COP12, nas Filipinas, quando cerca de 34 espécies foram incluídas nos anexos da CMS, ampliando sua proteção internacional.
Segundo Rita Mesquita, as decisões tomadas na COP15 também devem resultar na criação de acordos, memorandos de entendimento e planos de ação que conectam países, regiões e rotas migratórias inteiras. “É assim que se garantem medidas práticas, como a preservação de habitats, a manutenção da conectividade ecológica e a adaptação de obras de infraestrutura para reduzir impactos sobre animais migratórios — de aves e tartarugas a mamíferos marinhos”, concluiu.
Pantanal como cenário e símbolo
A escolha de Campo Grande como sede da COP15 foi anunciada oficialmente pelo governo brasileiro em março, marcando a primeira vez desde 2014 que a conferência será realizada na América Latina. Na ocasião, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que o Pantanal é o cenário ideal para esse debate global. A sua presença também foi confirmada ontem (2), por Copabianco.
“Sediar a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias em Campo Grande reforça o compromisso do Brasil com a proteção da biodiversidade. O Pantanal, um dos biomas mais ricos e vibrantes do mundo, será o espaço ideal para esse diálogo internacional sobre conservação e desenvolvimento sustentável”, destacou a ministra.
Ela também enfatizou o papel do Brasil na defesa do multilateralismo e da agenda ambiental internacional. “Em um momento de instabilidade global, reafirmamos nosso compromisso com um futuro sustentável, justo e inclusivo, e convidamos todos a fazer da COP15 no Pantanal um evento exitoso”, afirmou.
Espécies que conectam o planeta
Espécies migratórias — que vão de aves, peixes e morcegos a baleias, elefantes e até borboletas — percorrem longas distâncias entre continentes, oceanos e biomas, desempenhando papel essencial na manutenção do equilíbrio ecológico. Elas contribuem para serviços ecossistêmicos fundamentais, como polinização, dispersão de sementes, controle de pragas e ciclagem de nutrientes, além de gerar benefícios econômicos para povos indígenas e comunidades tradicionais, especialmente por meio do ecoturismo e da produção de alimentos.
Durante o anúncio da Capital como sede do evento, a secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, destacou que a COP15 em Campo Grande representa uma oportunidade decisiva. “Animais migratórios conectam o planeta, mas enfrentam pressões sem precedentes. Esta conferência é o momento de fortalecer a cooperação internacional e adotar medidas transformadoras para garantir o futuro dessas espécies e de seus ecossistemas”, afirmou.
Ao final do evento realizado ontem, Capobianco reforçou que a COP15 será uma vitrine internacional para o Brasil reafirmar compromissos ambientais e liderar ações concretas em defesa da biodiversidade. “É uma oportunidade única para o Brasil, para Mato Grosso do Sul e para o Pantanal, a maior área úmida continental do planeta”, concluiu.
