Crescimento segue tendência nacional, devido à variação no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo)

Campo Grande registrou um dos maiores aumentos em tarifas de corridas por aplicativo no Brasil, com alta de 48,25% em 2025, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Os aplicativos de mobilidade têm ganhado cada vez mais espaço e, em alguns casos, tornando-se até essencial para o deslocamento da população. Um dos fatores que contribuem para esse fenômeno é, justamente, a precarização do transporte público.
Conforme pesquisa do Instituto Ranking Brasil Inteligência, 85% dos campo-grandenses avaliam o transporte coletivo da Capital como “ruim” ou “péssimo”.
O debate acerca da regulamentação de tarifas, por sua vez, tem ganhado cada vez mais relevância no país, com discussões sobre subordinação algorítmica e gamificação nas plataformas de trabalho no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal).
Crescimento das tarifas em CG
Conforme o porta-voz do InDrive no Brasil, Gabriel West, o crescimento das tarifas segue uma tendência nacional, uma vez que a intermediação de mobilidade por aplicativo esteve entre os itens com maior variação no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2025.
Para o especialista, um dos principais fatores por trás desse movimento é o modelo de precificação adotado pela maioria das plataformas, baseado em tarifas dinâmicas automatizadas por algoritmos.
“Em muitos casos, esses sistemas são criados para ajustar valores conforme oferta e demanda, especialmente em horários de pico, eventos ou condições climáticas adversas. Quando não há clareza sobre os critérios aplicados, isso pode gerar uma percepção de imprevisibilidade tanto para usuários quanto para motoristas parceiros”, explica Gabriel.
Em Campo Grande, Gabriel cita, ainda, fatores locais relevantes que podem influenciar o preço, como a expansão territorial da cidade, o que aumenta as distâncias médias das viagens, além da avaliação negativa do transporte coletivo por parte da população.
“[São fatores que] podem ter contribuído para que a mobilidade intermediada por aplicativo deixe de ser apenas conveniência e passe a ser necessidade. Quando a demanda se torna urgente e estrutural, oscilações de preço têm impacto direto no orçamento das famílias”, completa.
Debates sobre tarifas no STF
Conforme o porta-voz do InDrive no Brasil, Gabriel West, com a crescente dependência desses serviços, aplicativos automatizados e com algoritmos “opacos” podem gerar distorções em momentos de maior pressão de demanda.
Dessa forma, o principal desafio do setor atualmente está relacionado à compreensão, por parte de usuários e motoristas parceiros, de como o valor final é determinado. Por esse motivo, discussões sobre transparência e justiça na formação de preços ganham destaque, como é o caso do debate no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre aplicativos de mobilidade.
“O debate regulatório é legítimo e importante para o amadurecimento do setor. No entanto, é fundamental reconhecer que existem diferentes modelos de negócio dentro da intermediação de mobilidade urbana”, opina Gabriel.
A chamada subordinação algorítmica, atualmente debatida pelas autoridades do STF, aponta que os preços são ajustados automaticamente por algoritmos, com base em fatores como demanda, oferta e localização, sem transparência clara para motoristas e usuários.
Já a gamificação aparece como mecanismo que incentiva motoristas a aceitar corridas ou permanecer mais tempo on-line, o que pode influenciar indiretamente a dinâmica de preços, especialmente em horários de pico.
