A arrecadação do governo federal com o imposto de importação conhecido como “taxa das blusinhas” registrou aumento de 25% em janeiro, na comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar do crescimento na receita, o debate sobre a possível revogação da cobrança voltou a ganhar força diante da proximidade das eleições de 2026.

Criada para reduzir a desvantagem da indústria nacional frente aos produtos estrangeiros, a medida passou a cobrar 20% de imposto sobre compras internacionais de até 50 dólares — valor que antes era isento. Desde então, a tarifa passou a impactar consumidores que compram em sites estrangeiros e também trabalhadores que dependem desses produtos importados para suas atividades.

Mesmo com a nova cobrança, o volume de compras internacionais não apresentou queda significativa. Em 2025, a medida gerou cerca de R$ 5 bilhões em arrecadação para o governo federal, contribuindo para o aumento da receita pública.

Debate político

Apesar do resultado positivo para os cofres públicos, a taxa se tornou tema de disputa política. Na Câmara dos Deputados do Brasil, parlamentares analisam um projeto que propõe zerar o imposto para compras desse valor.

Dentro do próprio governo, também há discussões sobre o impacto da medida na imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principalmente em um ano marcado por disputas eleitorais.

O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu a manutenção da cobrança. Segundo ele, produtos fabricados no Brasil pagam mais tributos e a taxa ajuda a equilibrar a concorrência com os importados, protegendo empregos e a produção nacional.

A posição é compartilhada por representantes da indústria têxtil. Para o setor, a cobrança contribui para melhorar a competitividade frente aos produtos estrangeiros.

“Não faz o menor sentido trazer de volta um assunto já pacificado e que não prejudicou. Se tivesse prejudicado, teria havido queda nos negócios e não houve”, afirmou Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.

Impacto no consumidor

Por outro lado, empresas de comércio eletrônico argumentam que o imposto pesa principalmente sobre consumidores de menor renda, que buscam produtos mais baratos em plataformas internacionais.

Segundo representantes do setor, reduzir ou eliminar a cobrança poderia ampliar o acesso de consumidores das classes C, D e E a produtos de baixo valor que muitas vezes não são encontrados no mercado brasileiro.

Decisão complexa

Para especialistas, a discussão envolve um equilíbrio entre arrecadação do governo, proteção da indústria nacional e acesso do consumidor aos produtos importados.

A economista Carla Beni, professora da Fundação Getulio Vargas, avalia que a decisão se torna ainda mais delicada em ano eleitoral.

Segundo ela, retirar o imposto pode agradar parte da população, mas também pode gerar reação negativa de setores produtivos que defendem a manutenção da proteção à indústria nacional.

Com informações do SBT News

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