Conflito no Oriente Médio provoca aumento de diesel, fertilizantes e ureia, e acende debate sobre alternativas logísticas

O impacto do conflito no Oriente Médio já é sentido na rotina de produtores rurais do Mato Grosso do Sul, afetando diretamente custos e logística na produção. Segundo Alessandro Coelho, produtor rural e presidente do Núcleo de Criadores de Girolando do estado, o óleo diesel e os fertilizantes tiveram aumentos expressivos, com relatos de falta do combustível em alguns postos e atrasos nas entregas. “Também percebemos um leve aumento nos minerais ureados utilizados na suplementação proteica do gado”, afirmou.

Para minimizar os efeitos, Coelho tem adotado medidas preventivas, como antecipar pedidos de diesel e postergar a aquisição de fertilizantes e produtos minerais proteicos, aguardando um momento mais oportuno próximo à seca, quando a demanda é maior. Em busca de alternativas, ele avalia a viabilidade de kits para motores que permitam a queima de óleo de soja, mas até o momento não há soluções concretas disponíveis, apenas testes de startups em ônibus escolares no Paraná.

Além do aumento de insumos, a logística também preocupa. A Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) considera estratégica a articulação do Ministério da Agricultura para oficializar a Turquia como corredor logístico alternativo. A medida visa garantir a continuidade do fluxo comercial, mesmo diante de restrições e instabilidade nas rotas convencionais, e pode ajudar a mitigar impactos sobre a comercialização com uma região estratégica.

No primeiro bimestre de 2026, o Oriente Médio respondeu por US$ 114,1 milhões em exportações do agronegócio sul-mato-grossense, representando 8,4% da receita total. Entre os produtos mais exportados estão o milho (31% do valor), a carne bovina (26,8%) e a soja em grãos (20,2%). Segundo a Famasul, a diversificação de rotas logísticas reforça a segurança e a previsibilidade das exportações, aspecto crucial para um estado com forte inserção no comércio internacional como Mato Grosso do Sul.

Por Ana Krasnievicz 

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