
O Desenrola 2.0 deve ser anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda nesta semana, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta segunda-feira (27). A declaração vem após uma reunião final da pasta com os maiores bancos do país, para o acordo final das condições do novo programa de renegociação de dívidas.
“Vou levar ao presidente amanhã, para que nos próximos dias ele anuncie”, disse Durigan em declaração à imprensa. “O programa exige redução de dívidas de cartão de crédito, CDC [crédito direto ao consumidor] e cheque especial, além de boas práticas de oferta de crédito e de educação financeira, com restrição a jogos e apostas online.”
A expectativa é que o programa esteja em funcionamento em maio.
Pela manhã, Durigan se reuniu com representantes dos maiores bancos do país para discutir detalhes finais do programa e superar divergências. O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, também participou.
Estavam presentes Carlos Antônio Vieira, CEO da Caixa, Felipe Prince, vice-presidente do Banco do Brasil, Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, Mario Leão, CEO do Santander, André Esteves, presidente do BTG Pactual, Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, Livia Chanes, CEO do Nubank, e Isaac Sidney, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Mais tarde, o ministro se reuniu com André Cury, CEO do Citibank.
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro e renovou o recorde histórico da série do Banco Central, iniciada em janeiro de 2005. A alta mensal foi de 0,1 ponto percentual, segundo dados divulgados pelo órgão nesta segunda-feira (27). Nesse cálculo, o Banco Central considera o saldo das dívidas das famílias no mês de referência, neste caso fevereiro, em relação à renda disponível acumulada nos últimos 12 meses.
O ministro disse que os detalhes finais do programa serão anunciados apenas por Lula. Segundo a Folha de S. Paulo, o governo estabeleceu um novo teto para a cobrança de juros sobre débitos renegociados: 1,99%, menor do que os 2,5% até então anunciados.
A ideia do Desenrola 2.0 é que as instituições financeiras deem descontos de até 80% sobre o valor devido, e que o governo, em contrapartida, entre com a garantia.
Ou seja, se a pessoa não honrar o acordo, o governo paga a dívida por ela.
Apenas pessoas que ganham até cinco salários mínimos, ou R$ 8.105,00 serão contempladas.
O endividamento das famílias, especialmente as de baixa renda, é visto pelo governo como um dos maiores empecilhos eleitorais para que Lula recupere a aprovação de seu governo, pavimentando o caminho para a reeleição.
Por Júlia Moura/Folhapress
