
Pleito foi levado ao Ministério do Trabalho e Emprego em reunião com Luiz Marinho e envolve recursos do FAT
Taxistas voltaram a cobrar do Governo Federal a criação de uma linha de crédito específica para renovação de frota. A demanda é antiga na categoria, segundo o diretor-presidente da Coopertaxi de Mato Grosso do Sul e do Sintaxi-MS, Flávio Panissa.
Sem acesso facilitado a financiamento, a substituição dos veículos tem sido adiada. O cenário impacta diretamente os custos de operação e a competitividade do serviço frente aos aplicativos de transporte.
Flávio Panissa afirmou, em entrevista ao O Estado, que a criação de uma linha de crédito é uma das principais reivindicações da categoria desde o fim de programas anteriores.
“A criação de uma linha de crédito específica para taxistas é uma reivindicação antiga da categoria. O crédito via FAT, voltado para esse fim, foi encerrado em 2021, e desde então estamos constantemente em Brasília lutando pela retomada desse instrumento”, disse.
Segundo ele, houve sinalização recente de avanço nas discussões com o Governo Federal. “Estive no dia 28 de abril reunido com o Luiz Marinho para tratarmos desse assunto, e a sinalização é de que, provavelmente, após a segunda quinzena de maio já teremos novidades sobre como essa linha de crédito será estruturada.”
Para a categoria, o acesso ao crédito teria efeito direto na renovação da frota. “Com acesso facilitado ao financiamento, haverá uma aceleração no processo de substituição dos veículos. Carros novos, além de proporcionarem um serviço de maior qualidade e conforto ao usuário, reduzem custos para o taxista, especialmente com manutenção”, afirmou.
Hoje, porém, o cenário é de restrição no crédito. “Enfrentamos juros elevados, o que dificulta o acesso ao crédito tradicional. Por isso, essa medida representa um alívio importante para a categoria”, completou.
A troca de veículos, segundo Panissa, deveria ocorrer em ciclos mais curtos. “É uma decisão estratégica que precisa ser tomada, em regra, no máximo a cada quatro anos. Se esse tempo é ultrapassado, a diferença entre o valor do veículo usado e o custo de um novo se torna muito elevada.”
A discussão sobre a linha de crédito ocorre no âmbito do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Representantes de sindicatos de diferentes estados levaram o pleito ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que afirmou, em nota, que o tema está em análise pelo Governo Federal e dialoga com medidas voltadas ao enfrentamento do endividamento, dentro do novo Desenrola Brasil.
A expectativa da categoria é de que uma eventual linha seja debatida no Conselho Deliberativo do FAT, responsável por definir a destinação dos recursos do fundo.
Enquanto aguarda definição, o setor enfrenta mudanças no perfil da frota. Em Campo Grande, o número de táxis regulares caiu cerca de 10% em cinco anos, passando de 579 para 521 veículos, segundo dados da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), divulgados no fim de 2025.
Apesar da redução na Capital, o serviço ainda mantém presença ampla no Estado, com atuação em 72 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, segundo levantamento do IBGE.
Para o economista Eugênio Pavão, o problema do setor está na estrutura de custos e na concorrência com outros meios de transporte, e não apenas no crédito.
“A oferta de táxis em Campo Grande vem enfrentando concorrência crescente de aplicativos e mototáxis. Com a demanda dividida entre essas modalidades, os custos passam a ser o principal diferencial”, afirmou.
Ele destaca que, ao contrário dos aplicativos, os taxistas arcam com despesas regulatórias específicas. “Os taxistas pagam alvará, uso de pontos e aferição de taxímetro. Com isso, muitos acabam deixando a atividade.”
Na avaliação do economista, medidas de crédito podem aliviar o setor no curto prazo, mas não resolvem o desequilíbrio estrutural. “A questão principal está nos custos, não apenas no acesso ao financiamento. Programas como o Desenrola podem ajudar no curto prazo, mas têm efeito limitado no médio e longo prazo.”
Um exemplo recente foi observado durante a paralisação do transporte coletivo em Campo Grande, quando a alta na demanda por corridas elevou significativamente os preços dos aplicativos, com impacto direto na dinâmica local de preços.
