Terceirização dos CRSs deve ser reformulada e voltar à pauta após as eleições, garante secretário

As unidades básicas de saúde de Campo Grande registraram movimento intenso nesta quinta-feira (14), primeiro dia da ampliação da vacinação contra a gripe para toda a população acima de 6 meses de idade. Antes restrita aos grupos prioritários, a imunização passou a ser liberada ao público geral diante do aumento de casos de doenças respiratórias na Capital.

Na USF (Unidade de Saúde da Família) 26 de Agosto, no Bairro São Francisco, duas salas extras foram disponibilizadas para atender a procura da população ao longo do dia. Entre as pessoas que aproveitaram a ampliação da campanha estava a fisioterapeuta Simone Vargas, de 50 anos, que aguardava a liberação para o público geral. “Essa época tem muitos casos de gripe e, como sou da área da saúde, sempre faço esse acompanhamento. Esperei liberar para toda a população e já vim tomar a vacina hoje”, afirmou.

Segundo Simone, a vacinação já faz parte da rotina da família. “Meu marido já tomou e faltam meus filhos. A vacinação é muito importante, principalmente nesse período seco, que favorece as viroses”.

As irmãs Flávia Hill Rezende, designer de moda, e Brunna Hill Rezende, analista de dados, ambas de 35 anos, também foram cedo até a unidade para garantir a imunização.

Brunna contou que acompanhava a campanha desde o início da vacinação dos grupos prioritários. “Levei minha avó, meus pais e meus sobrinhos para vacinar. Hoje cedo vi que tinha aberto para toda a população e vim imediatamente”, relatou.

Ela destacou a importância da adesão da população à campanha. “A vacina é gratuita e ajuda a melhorar a saúde de todo mundo. A taxa de vacinação ainda está baixa, então é importante aproveitar”, afirmou.

Já Flávia ressaltou que a imunização ajuda a reduzir os casos graves da doença e desafogar os hospitais. “Quanto mais a população aderir, melhor para todos. A vacina ajuda a evitar formas graves da doença e protege não só quem toma, mas toda a coletividade”.

Aumento de casos preocupa autoridades
A ampliação da vacinação foi anunciada pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) diante do aumento dos casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e da circulação dos vírus Influenza em Campo Grande.

Dados da 18ª semana epidemiológica apontam que a Capital já registrou 808 casos de SRAG e 55 mortes relacionadas à doença.

As crianças menores de 1 ano até 9 anos concentram a maior parte das internações, com 547 casos, representando 67,7% do total. Entre adolescentes de 10 a 19 anos foram registrados 46 casos (5,7%), enquanto idosos acima de 60 anos somam 116 internações, equivalente a 14,3%.

Entre os pacientes hospitalizados, 70 casos foram confirmados para Influenza A e 27 para Influenza B. Ao todo, 15 mortes ocorreram entre pacientes internados por Influenza A e B.

Desde o início da campanha, em 26 de março, mais de 107 mil doses já foram aplicadas em Campo Grande. Apenas entre crianças, gestantes e idosos foram 70.766 aplicações, mas a cobertura vacinal segue em 31,11%, abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.

Sazonalidade dispara buscas
A enfermeira Mariana Barbosa explicou que o aumento da procura nas unidades nesta época do ano já é esperado devido à sazonalidade das doenças respiratórias.

“Todo ano, nesse período, a gente observa aumento das infecções respiratórias. As UPAs e unidades de saúde ficam lotadas por conta das síndromes gripais. Por isso, a vacinação é uma estratégia fundamental de prevenção”.

Segundo ela, inicialmente a campanha priorizou idosos, gestantes, crianças e profissionais da saúde, considerados grupos mais vulneráveis às complicações da gripe. “A influenza não é uma doença seletiva. Todo mundo convive em escolas, ambientes de trabalho e espaços públicos, então a vacina é uma forma importante de prevenção. A vacina oferecida pelo SUS é trivalente e protege contra três variantes do vírus”, explicou.

Na USF 26 de Agosto, a unidade ampliou a estrutura de atendimento para acelerar a imunização da população. “Aqui estamos operando com duas salas de vacinação. Qualquer pessoa pode procurar a unidade com documento pessoal e cartão SUS para receber a dose”, destacou.

A enfermeira também reforçou a importância das medidas de prevenção, principalmente durante o período de tempo seco. “A prevenção é sempre o melhor remédio. Além da vacina, a etiqueta respiratória continua sendo essencial, principalmente neste período de aumento das doenças respiratórias”.

Novo projeto para terceirização da saúde deve ser encaminhado após eleições

O secretário de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, afirmou, em coletiva na manhã de quinta-feira (14), que pretende enviar novamente à Câmara Municipal o projeto de lei para terceirizar a administração da saúde pública da Capital.

Segundo ele “se criou um estigma sobre a terceirização” e irá realizar uma reunião com os parlamentares para destacar pontos importantes sobre o assunto. No entanto, o titular da Sesau (Secretaria de Saúde de Campo Grande) disse que só irá retomar o assunto após as eleições.

“Não, a gente não vai [encaminhar o novo projeto] agora. Está vindo campanha eleitoral, mas a gente tem sim atitudes para melhorar a assistência à população, inclusive ideias que já foram praticadas no Brasil”, disse.

A medida de terceirização para uma OSS (Organização Social de Saúde) é uma das formas encontradas pela administração municipal a fim de dar solução à crise pela qual o setor passa na Capital.

O primeiro projeto encaminhado pelo Executivo a respeito do assunto à Câmara foi votado no dia 5, quando a proposta foi rejeitada por 17 votos a 11.

Por Geane Beserra

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