
ACP e professores não chegaram a um acordo por correção do piso salarial
As escolas municipais de Campo Grande amanheceram fechadas nesta sexta-feira (12) e pegaram alguns pais de surpresa. Após falta de acordo entre a ACP (Associação Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública) e a Prefeitura sobre o reajuste do piso salarial, o sindicato aprovou paralisação em Assembleia Geral Extraordinária na última segunda-feira (8).
Na Escola Municipal Prof. Arlindo Lima, um bilhete foi colado nos portões de entrada, que informa a “paralisação geral do magistério em todas as unidades escolares da REME (Rede Municipal de Ensino) no dia 12/06/2026”. Além disso, as formações Continuadas Semed, previstas para segunda (15) e terça-feira (16), também estarão suspensas.
A ACP confirmou, no entanto, que a paralisação das aulas será apenas nesta sexta-feira. Assim, o cronograma de ensino dos alunos volta ao normal na segunda-feira. Porém, a previsão é que ocorra nova Assembleia na data, para discutir a possibilidade de nova paralisação.
A funcionária pública Marluce Torres foi uma das mães pegas de surpresa com a paralisação. Ao chegar na escola Arlindo Lima para deixar seu filho, deu de cara com os portões fechados. “Não fiquei sabendo [da paralisação], fui pega de surpresa, porque tinha um calendário que estava estipulado que segunda e terça não teria aula, mas dessa data aqui eu não tinha conhecimento, não. Meu filho tem 9 anos, vou ter que voltar para casa, não sabia mesmo. Fui pega de surpresa”.

Na Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) Eleodes Estevan, outros pais também se surpreenderam ao chegarem no local e descobrirem que não haveria aula. A direção da escola também colocou recado informativo no portão, que confirmou a suspensão das aulas e dos atendimentos administrativos.
Falta de acordo
A paralisação foi definida após falta de acordo entre os professores e a Prefeitura de Campo Grande. Os profissionais avaliaram a resposta do órgão público ao pedido de cumprimento do reajuste de 5,4%, previsto na política de valorização do Piso 20h da Rede Municipal de Ensino.
Segundo o sindicato, a administração municipal alegou impossibilidade financeira para conceder o reajuste pactuado em 2025. Diante da negativa, a categoria decidiu pela paralisação das atividades.
O que diz a Prefeitura?
Em nota, a Semed (Secretaria Municipal de Educação) afirmou que o reajuste do Piso Nacional do Magistério passou por mudanças na metodologia de cálculo, resultando no índice de 5,4%. No entanto, segundo a pasta, os municípios não receberam aumento proporcional nos repasses do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).
“Mesmo diante desse cenário, a gestão municipal segue empenhada na construção de soluções responsáveis, preservando o equilíbrio fiscal e garantindo a continuidade dos investimentos na educação pública, sempre por meio do diálogo, do respeito e da negociação institucional”, informou a secretaria.

