
Levantamento aponta que conflitos internacionais elevaram o preço dos fertilizantes, reduziram as importações no Estado
A alta superior a 50% no preço da ureia desde o início deste ano tem acendido um sinal de alerta para os produtores rurais de Mato Grosso do Sul, que se preparam para a próxima safra.
O cenário é reflexo das incertezas no mercado internacional de fertilizantes, agravadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia e pelas tensões entre Estados Unidos e Irã, que afetaram o comércio global de insumos.
De acordo com a Aprosoja-MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados na agricultura, o que torna o país mais vulnerável às oscilações do mercado internacional.
“O Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que consome, e os utilizados nas lavouras brasileiras foram os mais afetados”, afirma o analista de Economia da Aprosoja-MS, Linneu Borges Filho.
A ureia, um dos principais fertilizantes utilizados na cultura do milho, é o insumo que mais sofreu impacto, acumulando valorização superior a 50% ao longo do ano.
Um levantamento da equipe econômica da entidade mostra ainda que Mato Grosso do Sul reduziu de forma significativa a importação dos três principais nutrientes utilizados na produção agrícola: nitrogênio, fósforo e potássio.
Segundo a entidade, a retração demonstra cautela dos produtores diante da instabilidade do mercado, justamente no período de planejamento da próxima safra.
Outro fator que preocupa o setor é o atraso nas negociações para aquisição dos fertilizantes. Conforme dados da Mosaic citados pela Aprosoja-MS, cerca de 35% dos insumos necessários para a próxima safra ainda não foram comercializados.
“Esse atraso gera um efeito que encarece os custos logísticos para a movimentação deste insumo, uma vez que a demanda solicitada nos próximos meses será extensa.
Além disso, a incerteza faz com que o produtor estruture o seu custo de produção sem possuir uma certeza, o que pode acabar prejudicando sua produtividade, já que os fertilizantes representam boa parte do custo de produção”, explica Linneu Borges Filho.
Para reduzir a dependência das importações, o governo federal tem adotado medidas de médio e longo prazo. Entre elas estão o avanço do Projeto de Lei nº 699/2023, conhecido como Profert, que prevê R$ 10 bilhões em subsídios para estimular a produção nacional de fertilizantes, e a retomada das fábricas de fertilizantes da Petrobras, cuja produção poderá suprir cerca de 35% da demanda brasileira por ureia após a conclusão das obras.
Diante desse cenário, a Aprosoja-MS reforça a importância do planejamento financeiro e da gestão dos custos da próxima safra.
“Mais do que nunca, faz-se necessário o planejamento e a boa estruturação do custo de produção por parte do produtor para evitar riscos durante a safra”, conclui o economista.
