
As investigações sobre o desaparecimento da bebê Ayla Emanuelly, de apenas 28 dias, continuam neste sábado (8), em Campo Grande. Equipes da Polícia Civil estão reunidas na DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) para tratar do caso e definir os próximos passos das diligências que tentam localizar a recém-nascida.
O desaparecimento da criança mobilizou equipes da DEPCA e do Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros). A principal linha investigada é a de um possível sequestro, mas as circunstâncias ainda não foram esclarecidas oficialmente.
Na manhã deste sábado, as duas adolescentes, a mãe de Ayla, de 17 anos e a irmã dela, de 12 anos, que teriam sido mantidas amarradas no momento em que a criança foi subtraída, foram novamente à delegacia. Segundo a madrinha da bebê, elas passaram por exames de corpo de delito depois de relatarem que permaneceram desacordadas por várias horas.

Foto: divulgação
“Elas fizeram um corpo de delito porque ficaram desacordadas há mais de oito horas, para ver se houve abuso. Foi por segurança, porque elas acordaram com o corpo e a cabeça doendo. Como ficaram amarradas por muito tempo, a polícia fez o exame para verificar”, relatou a madrinha.
Ainda segundo ela, as adolescentes não apresentaram, até o momento, indícios de violência sexual. O exame, conforme o relato, foi realizado como medida de segurança durante a investigação.
A madrinha também contou que as meninas teriam reconhecido, por meio de fotografias apresentadas pela polícia, uma mulher que teria feito contato com a família antes do desaparecimento de Ayla. Segundo o relato, a suspeita teria ido duas vezes até a residência e oferecido roupas, além de fazer convites para que uma das adolescentes fosse até outro endereço.
De acordo com a madrinha, inicialmente o convite teria sido para que a mãe de Ayla fizesse fotos. Depois, a mulher teria apresentado uma suposta proposta de emprego, com pagamento de R$ 100 pelo período entre o meio-dia e 17h.
“Ela veio aqui duas vezes na casa. Trouxe roupinhas, chamando a mãe da bebê para ir tirar foto. Ela não quis ir. Depois mandou uma proposta de emprego. A mãe da Ayla queria ir para ganhar R$ 100, mas a família não queria deixar por causa da bebezinha. Então ela resolveu levar a irmã para ajudar”, contou.
A mulher seria conhecida pelo nome de “Carol”, mas a madrinha ressalta que esse nome não foi confirmado pela polícia. “Provavelmente ninguém vai dar o nome verdadeiro. Na delegacia, os policiais não falaram se é esse nome. Não confirmaram nada”, afirmou.
A madrinha disse ainda que a mulher costumava mencionar uma “loira” que iria até o local buscar a criança. Segundo o relato, entretanto, quem teria feito os contatos com a família seria uma mulher morena.
Relato sobre o local onde as adolescentes teriam sido levadas
As adolescentes teriam sido levadas para um imóvel onde, segundo o relato da madrinha, havia várias pessoas. Ela afirma que as meninas disseram ter visto cerca de dez homens no local.
“Quando elas chegaram, a mulher falou: ‘entra que eu vou apresentar a casa’. A mãe da bebê entrou, deixou o neném no sofá com a irmã dela, que ficou sentada junto com a neném. Depois a mulher levou a mãe da bebê para o fundo”, relatou.
Ainda segundo a madrinha, uma das adolescentes teria sido ameaçada para não gritar. “Ela falava: ‘não grita, não grita, que aqui dentro tem mais de dez caras’”, contou.
As circunstâncias exatas de como as adolescentes foram dominadas e como Ayla foi retirada do local ainda são investigadas pela Polícia Civil.
“Acho que já não está mais aqui.”
Abalada com o desaparecimento da bebê, a madrinha afirma acreditar que a ação não foi improvisada. Para ela, o contato mantido anteriormente com a família indicaria que alguém vinha planejando a abordagem havia algum tempo. Na avaliação dela, o objetivo seria criar uma situação para conseguir chegar até a criança.
“Eu acho que já não está mais aqui. Porque foi tudo planejado. Teve meses para essa mulher planejar isso. mãe da bebê estava grávida de sete meses, então ninguém agiu da noite para o dia. Teve muito tempo para pensar. O foco deles era a armadilha, pegar e já levar. Ninguém que vai sequestrar vai ficar com uma criança aqui. Ninguém simplesmente viu esse bebê e resolveu fazer isso. Já tinha sido pensado”, afirmou.
Apesar do medo e da angústia, ela diz que a família ainda mantém esperança de encontrar Ayla.
“Temos. Ainda mais com a repercussão. A polícia também está em cima. A gente não pode perder. A gente não pode perder, não”, declarou.
A madrinha também falou sobre o estado emocional da mãe de Ayla, que permanece profundamente abalada desde o desaparecimento. Segundo ela, a mãe ainda sofre fisicamente com o período pós-parto e com a interrupção repentina da amamentação.
“O peito dela não para de vazar leite. Toda hora começa a vazar, começa a doer e ela começa a chorar”, relatou.
A madrinha contou que a adolescente teria saído de casa em busca de uma oportunidade de trabalho porque precisava de dinheiro para ajudar nas despesas da filha.
“Ela falou que, se soubesse que seria assim, não teria ido. Ela queria o dinheiro. Não queria depender de ninguém, precisava. Ela dizia: ‘todo mundo me acusando, mas ela tem 28 dias, por que eu vou procurar trabalho? Porque eu preciso’”, relatou.
A bebê ainda não havia sido registrada oficialmente quando desapareceu. Conforme a madrinha, o registro estava previsto para a semana passada, mas acabou sendo adiado porque Raquel enfrentava dificuldades com a recuperação da cesárea.
A mãe recebeu, no hospital, a documentação necessária para posteriormente fazer o registro em cartório. De acordo com a madrinha, ela chegou a ter problemas com os pontos da cirurgia, que teriam inflamado, e por isso o procedimento acabou sendo adiado.
Família nega envolvimento com facção
Durante as últimas horas, também circularam informações nas redes sociais de que Ayla teria sido levada para o pagamento de uma suposta dívida com uma facção criminosa e que o pai da criança teria ligação com uma organização criminosa. A família nega as informações.
Segundo a madrinha, o pai da bebê não possui envolvimento com facção e teria comparecido espontaneamente à delegacia para prestar esclarecimentos. Ela também afirmou que ele não teria antecedentes criminais.
“Ele não é envolvido com nada. Ele mesmo apareceu com eles. Foi de livre e espontânea vontade na delegacia e esclareceu tudo”, afirmou.
Ela também negou que alguém tenha sido preso na manhã deste sábado. “É mentira. Ninguém foi preso. As meninas acabaram de chegar na delegacia e ninguém foi preso”, disse.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre prisões relacionadas ao desaparecimento.
A mãe, a tia e a avó da bebê chegaram a permanecer na delegacia durante horas na sexta-feira (7), mas, segundo a madrinha, foram liberadas por volta das 23h30. A família vinha sendo alvo de especulações nas redes sociais, inclusive sobre uma suposta venda da criança, informação que também é negada pelos familiares.
As investigações continuam e a Polícia Civil busca esclarecer quem esteve envolvido no desaparecimento, identificar a mulher apontada pelas adolescentes e localizar Ayla Emanuelly. Qualquer informação que possa ajudar a encontrar a recém-nascida pode ser repassada às autoridades.
