
Recém-nascida foi localizada durante operação conjunta entre a Polícia Civil de MS e forças paraguaias; casal brasileiro foi preso e investigação continua
A bebê Ayla Emanuelly Pereira de Souza, de 28 dias, foi resgatada com vida na madrugada deste domingo (9), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, após mais de 48 horas de buscas. Depois de receber atendimento médico no país vizinho, a criança foi repatriada para o Brasil e encaminhada para uma instituição de acolhimento em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai.
Segundo o Conselho Tutelar, Ayla está bem, saudável e em segurança. A criança permanecerá inicialmente sob acompanhamento da rede de proteção, enquanto as autoridades avaliam os próximos encaminhamentos relacionados à situação familiar.
O resgate ocorreu por volta de 1h15, quando equipes do Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, com apoio de operadores táticos da DAS (Direção de Polícia do Amambay e do Grupo Antissequestro), cumpriram um mandado de busca em uma residência da cidade paraguaia.
No imóvel, os policiais encontraram a recém-nascida, que estava na posse de um casal de brasileiros. Os dois foram presos em flagrante pelas autoridades paraguaias. Conforme a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, a mulher presa é apontada como autora do sequestro.
Durante a ação, foram apreendidos celulares, documentos e um veículo. O material deverá ser analisado pelos investigadores e pode ajudar a esclarecer como o crime foi planejado, executado e como a bebê foi levada de Campo Grande até o Paraguai.
Polícia Civil do Estado coordenou investigação
A localização de Ayla foi resultado de uma força-tarefa coordenada pela DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), com apoio do Garras (Grupo de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros), da Defurv (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos de Veículos) e da Delegacia Regional de Ponta Porã.
Segundo a Polícia Civil, as equipes permaneceram mobilizadas de forma ininterrupta por mais de 48 horas, realizando levantamentos de inteligência, cruzamento de informações e diligências para identificar os envolvidos e localizar a criança.
As investigações indicaram que Ayla poderia ter sido levada para o território paraguaio. A partir disso, a Polícia Civil iniciou os procedimentos de cooperação policial internacional e compartilhou as informações obtidas com as autoridades do país vizinho.
A articulação permitiu que os dados reunidos pelos investigadores brasileiros fossem utilizados pelas forças paraguaias para chegar ao imóvel onde a bebê estava.
A operação também contou com apoio de agentes do Consulado Americano, em São Paulo.
Como aconteceu o desaparecimento
Segundo a investigação, uma mulher teria atraído a mãe de Ayla, uma adolescente, para uma residência em Campo Grande. A bebê estava com a mãe quando foi levada.
Após o sequestro, a adolescente e uma irmã também adolescente teriam sido deixadas no bairro Jardim Colibri, na Capital.
A partir do desaparecimento, a DEPCA passou a concentrar esforços na localização da recém-nascida e na identificação dos envolvidos.
O caso também mobilizou o Amber Alert Brasil. Segundo a Polícia Civil, foi a primeira vez que a ferramenta foi utilizada em Mato Grosso do Sul para ampliar a divulgação de um alerta envolvendo uma criança desaparecida.
As informações sobre Ayla foram compartilhadas em plataformas como Facebook e Instagram, ampliando o alcance do pedido de ajuda para localização da bebê.
Ayla foi atendida em hospital antes de voltar ao Brasil
Depois de ser encontrada, a recém-nascida foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde recebeu atendimento médico.
Após a avaliação, Ayla foi considerada saudável e posteriormente repatriada para o Brasil. A bebê foi encaminhada para acolhimento em Ponta Porã, onde permanece sob os cuidados da rede de proteção.
Investigação continua
Apesar do resgate, a Polícia Civil afirma que a Operação Ayla ainda não foi encerrada. Os investigadores continuam trabalhando para esclarecer toda a dinâmica do sequestro e identificar se outras pessoas participaram do crime.
Os objetos apreendidos no Paraguai também serão analisados e podem fornecer novas informações sobre o planejamento do sequestro, a retirada da bebê de Campo Grande e o deslocamento até Pedro Juan Caballero.
A Polícia Civil destacou que a recuperação da criança foi resultado da integração entre as forças de segurança brasileiras e paraguaias, especialmente diante da necessidade de atuação rápida após a possibilidade de a bebê ter sido levada para outro país.
