
Levantamento mostra alcance dos candidatos e a influência da popularidade digital na disputa eleitoral
Em uma eleição cada vez mais disputada também nas telas dos celulares, candidatos de Mato Grosso do Sul acumulam milhares e, em alguns casos, centenas de milhares de seguidores nas redes sociais. Mas o tamanho da audiência no Instagram, Facebook e TikTok não é, por si só, garantia de sucesso nas urnas.
Levantamento realizado pela reportagem do Jornal O Estado com os perfis dos principais candidatos às eleições de 2026 mostra diferenças expressivas de presença digital entre nomes que disputam vagas na Câmara dos Deputados, no Senado e no Governo do Estado. A análise considera os números de seguidores no Instagram, Facebook e TikTok, sem que isso represente necessariamente pessoas diferentes, já que um mesmo usuário pode seguir o candidato em mais de uma plataforma.
Entre os deputados federais que buscam a reeleição, Rodolfo Nogueira (PL) reúne a maior audiência nas três redes pesquisadas. Somados os números dos perfis localizados, são cerca de 861 mil seguidores, impulsionados principalmente pelos 465,5 mil no Facebook e 373 mil no Instagram.
Na sequência aparece Marcos Pollon (PL), com aproximadamente 542,6 mil seguidores nas três plataformas. Camila Jara (PT) soma 389,1 mil, com destaque para o TikTok, onde tem 136 mil seguidores, além dos 224 mil no Instagram.
Os demais deputados federais apresentam números mais distantes dos três primeiros. Luiz Ovando (PP) reúne pelo menos 142,5 mil seguidores nas plataformas em que o perfil foi localizado; Beto Pereira (Republicanos), 73,1 mil; Geraldo Resende (União Brasil), 62,7 mil; e Dagoberto Nogueira (PP), aproximadamente 51,4 mil.
A presença digital também chama atenção entre candidatos que ainda não ocupam uma cadeira na Câmara dos Deputados. A vereadora Isa Marcondes (Republicanos), por exemplo, tem 43 mil seguidores no Facebook e 113,2 mil no TikTok, somando ao menos 156,2 mil seguidores. Mara Caseiro (PL) aparece com 24,7 mil seguidores no Facebook, enquanto Bia Cavassa (PSDB) tem 18,2 mil na mesma rede.
Para o cientista político Daniel Miranda, o número de seguidores pode ser um indicativo inicial de alcance, mas não deve ser confundido com intenção de voto.“Número de seguidores é um bom ponto de partida, mas não se converte em voto automaticamente, pois depende de estrutura e apoios fora das redes”.
O especialista destaca ainda que o engajamento pode ser mais relevante do que o número bruto de pessoas que acompanham um perfil. Mesmo assim, também não é possível transformar curtidas, comentários e compartilhamentos diretamente em votos.“Engajamento com certeza tem muito peso, pois não basta ter seguidores que não interagem, mas, mesmo assim, engajamento não é voto, é apenas potencial”.
A diferença entre popularidade nas redes e força eleitoral aparece também na comparação entre candidatos ao Senado. O deputado federal Vander Loubet (PT), que busca uma vaga no Senado, soma 68,6 mil seguidores nos perfis analisados. Já o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) chega a 223,1 mil, enquanto o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL) reúne cerca de 246 mil.
A senadora Soraya Thronicke (PSB), que busca a reeleição, supera os três, com aproximadamente 632 mil seguidores somados entre Instagram, Facebook e TikTok.
Disputa pelo Governo
Na corrida pelo Governo do Estado, o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) aparece com a maior soma entre os perfis pesquisados, com 266,1 mil seguidores. O governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, reúne 167,3 mil.
O deputado estadual João Henrique Catan (Novo) 88 mil, enquanto Delcídio do Amaral (PRD), ex-senador, chega a 79,3 mil nas três plataformas.
Os números dos demais candidatos são menores. Renato Gomes (DC) soma cerca de 17,1 mil seguidores nos perfis localizados; Jeferson Bezerra (Agir), 3,9 mil; Lucien Rezende (PSOL), 2,8 mil; e Daniel Lemes (PCO), 283 seguidores apenas no Instagram, já que não foram localizados perfis nas outras plataformas pesquisadas.
Ter um mandato também não significa, necessariamente, vantagem nas redes ou nas urnas. Para Daniel Miranda, a maior exposição de um político pode funcionar tanto de forma positiva quanto negativa. “Ter mandato não é vantagem, às vezes pode até ser o contrário: a maior exposição pode ser negativa”, avalia.
Redes avançam, mas TV e rádio ainda têm peso
Com campanhas cada vez mais presentes no celular, vídeos curtos e conteúdos publicados diariamente passaram a ocupar espaço importante na estratégia eleitoral. O cientista político, porém, avalia que o impacto das redes varia conforme o público. “Pessoas mais jovens com certeza têm maior presença nas redes, mas TV e rádio ainda têm impacto, embora cada vez menos”.
Para Miranda, as plataformas digitais têm capacidade de antecipar debates e ampliar assuntos que ganham relevância durante a campanha. Isso não significa, porém, que sejam capazes, sozinhas, de definir a escolha do eleitor.
“Redes sociais conseguem antecipar pautas, discussões e assuntos que podem ser ou são relevantes em dado momento, mas elas em si não afetam tanto a decisão de voto. O que afeta são fatos reais”, explica.
Segundo ele, um escândalo envolvendo determinado candidato, por exemplo, pode ganhar proporções maiores nas plataformas. Nesse caso, as redes sociais ampliam o alcance da informação, mas não seriam a origem da perda de votos. “As redes vão ampliar o efeito, mas não são as redes que fazem a pessoa perder votos, e sim o escândalo em si”, exemplifica.
Assim, os números ajudam a medir a dimensão da presença digital dos candidatos e o potencial de alcance das campanhas, mas estão longe de funcionar como uma prévia automática das urnas. Entre seguidores, engajamento, exposição na televisão, rádio, estrutura partidária e fatos que surgem durante a campanha, a disputa eleitoral continua sendo decidida muito além das telas.
Por Nayane Aleixo
