
Uma assistente comercial de 20 anos denunciou ter sido vítima de estupro durante uma corrida de aplicativo na madrugada de sexta-feira para sábado, em Campo Grande. Mulher trans, a jovem contou que ainda está abalada e assustada com o ocorrido. O caso foi registrado como estupro e está sendo investigado pela polícia.
Segundo o relato, por volta das 4h20, após participar de uma festa na região central da Capital, ela solicitou um carro por aplicativo para voltar para casa. A jovem contou que havia ingerido bebida alcoólica, mas afirmou que não estava alcoolizada. “Tinha bebido sim, mas não estava alcoolizada, estava mais cansada. Como tinha dado um valor legal à corrida, eu chamei. Eu uso o app e nunca tive problema”, relatou.
Quando o motorista estava a cerca de três minutos do ponto de embarque, ele teria enviado uma mensagem perguntando quantas pessoas fariam a viagem. Ela respondeu que estava sozinha e pediu a chave Pix para antecipar o pagamento, pois o celular estava com pouca bateria. O motorista não enviou a chave naquele momento. A jovem então aguardou a chegada do veículo e economizou a bateria do aparelho.
Ao entrar no carro, ela cumprimentou o motorista, que, segundo seu relato, respondeu normalmente. A jovem contou que usava um vestido e um short legging por baixo e permaneceu em silêncio durante parte do trajeto, mexendo no celular e acompanhando o caminho.
Em determinado momento, o motorista explicou que havia perguntado sobre o número de passageiros porque, segundo ele, era comum pessoas solicitarem corridas durante a madrugada para transportar até cinco passageiros. Pouco depois, ele enviou a chave Pix, e ela realizou o pagamento, mas não recebeu confirmação imediata de que o valor havia sido recebido.
Ao chegar em frente à residência da jovem, no Jardim Imá, o motorista parou o veículo e acendeu a luz interna. Ela agradeceu e perguntou se o pagamento havia sido identificado. Conforme o relato, foi nesse momento que o homem passou a fazer comentários sobre a aparência dela. “Ele disse: nossa, você é muito bonita, parece uma boneca, você não tem cara de que passa a perna nas pessoas”, contou. Em seguida, ele teria confirmado o recebimento do Pix.
Logo depois, segundo a denúncia, o motorista expôs o órgão sexual e disse: “Vem aqui, bonequinha, vem”. A jovem afirmou que recusou a investida e, na tentativa de contornar a situação, pediu o número de telefone dele. O motorista teria se recusado inicialmente, mas continuou insistindo e acabou passando o contato.
Ainda conforme o relato, o homem abriu a porta do motorista e foi rapidamente para o lado onde ela estava. A jovem afirma que ele a agarrou pelos cabelos e a obrigou a praticar sexo oral. Segundo ela, o motorista também a beijava e teria retirado a calça. O short legging usado por baixo do vestido teria dificultado a ação do suspeito.
A jovem contou que tentou se desvencilhar e abrir a porta do veículo até conseguir sair. Depois de entrar em casa, ela afirma que o motorista permaneceu parado em frente à residência, olhando para o celular e também para dentro do imóvel. Com medo, ela manteve as luzes apagadas. “Guardei o vestido, escovei os dentes, me senti suja”, relatou.
Após o ocorrido, a jovem publicou um vídeo nas redes sociais relatando o caso. Segundo ela, por volta das 7h da manhã, a publicação já havia viralizado. Ela informou que tinha uma fotografia e a placa do veículo utilizado na corrida e repassou as informações às autoridades.
Na sequência, a jovem procurou uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), onde passou por exames e recebeu medicamentos preventivos. Depois, foi até a Casa da Mulher Brasileira, onde registrou boletim de ocorrência e realizou exame de corpo de delito.
A reportagem apurou que o suspeito possui passagens por estelionato. O caso foi registrado como estupro e segue sob investigação.
