Cenário precário pode ser encontrado em diversos pontos de Campo Grande, inclusive nas proximidades da Sisep

Buracos abertos em diversas ruas de Campo Grande têm causado transtorno para motoristas, pedestres e comerciantes da Capital. Com as chuvas que caem sobre a cidade, as crateras espalhadas acumulam água e escondem a profundidade dos buracos dificultando ainda mais a condução com segurança pelos motoristas e motociclistas.

A equipe de reportagem do Jornal O Estado esteve em diversos pontos com o asfalto danificado. Em algumas vias, os buracos ocupam parte da pista e obrigam os motoristas a reduzirem a velocidade e até mesmo realizar manobras perigosas para evitar prejuízos aos veículos.

Na Rua Filomena Segundo Nascimento, localizada no bairro Jardim Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, um cone chegou a ser colocado de forma improvisada pelos moradores, para tentar sinalizar o buraco submerso pela água da enxurrada, a fim de evitar acidentes no trecho.

Contudo, a situação é preocupante não só para os condutores, como também para pedestres que circulam diariamente pelas ruas afetadas, como é o caso da aposentada Maria Célia Martins Ribeiro, de 78 anos. Ela conta que há poucos dias, quase foi atropelada por um motorista que tentava desviar de um buraco e acabou subindo na calçada.

“Um dia desses, quase que um carro me pega. Eu vinha por aqui [na calçada] e ele por lá [na faixa do outro lado da rua]. Ele não queria passar para lá por causa do buraco e passou por aqui, perto de mim, quase me atropelou”, conta ela.

Além disso, Maria Célia diz que já chegou a presenciar vários acidentes pelo bairro, que por anos foi muito tranquilo. “Já vi muito acidente aqui. Um dia um outro carro foi desviar do buraco e bateu, acabou capotando, cheguei aqui e ele estava com as quatro rodas para cima”, detalha a aposentada.

Moradora da região há décadas, Maria Célia se lembra bem de quando comprou o terreno quando o conjunto de habitação ainda nem existia. Desde que viu as ruas do bairro serem asfaltadas, ela diz nunca ter visto tantos buracos. “Meu terreno é antigo e custou 70 cruzeiros, cheguei aqui era só mato. Em todo o tempo que vivo aqui, depois que as ruas foram asfaltadas eu nunca vi tanta cratera”, pontua.

Situação preocupa comerciantes

Na Rua Mestre Estanislau Pannatier entre a Rua Tucuruvi e a Rua Inubia Paulista dezenas de buracos dividem a pista. O que chama a atenção é que este ponto está localizado há cerca de cinco quadras da sede da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, Mato Grosso do Sul). Proprietário de uma serralheria, Rony Barros Peixoto, 52 anos, revela que muito dos clientes até deixam de ir ao estabelecimento, por saber que para chegar até o local existem muitos buracos. “Os clientes reclamam muito, o pessoal da escola aqui ao lado também. Na hora de atravessar aqui, no horário de pico, é bem complicado”, contou.

“Aqui acontece acidente direto por conta dos buracos, é muito frequente a gente ver situações assim. Se você passar aqui na hora de fluxo vai ver que é um sacrifício. Um perigo constante”, reclama. “Tem cliente que para o carro longe e vem andando”, acrescenta.

Após uma séria de denúncias de moradores, comerciantes e até mesmos motoristas de aplicativos que percorrem Campo Grande de ponta a ponta, a equipe de reportagem do Jornal O Estado foi em diversas ruas e constatou que as crateras ficam mais críticas com as chuvas devido a erosão causada pelas tempestades. Este cenário foi localizado nas Ruas Conde de Pinhal, Rua Filomena Segundo Nascimento, Rua Agostinho Bacha, Rua Querubina Garcia Nogueira, e a Rua Me Estanislau Pannatier entre a Tucuruvi e a Inubia Paulista.

A prefeitura de Campo Grande foi questionada para falar sobre o plano de recapeamento e não houve respostas até o fechamento da edição. Vale lembrar, que conforme noticiado na edição desta terça-feira (22), a prefeitura publicou um aditivo de R$ 1 milhão em favor do Central0- MS (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Região Central de Mato Grosso do Sul), do qual a prefeita Adriane Lopes é presidente.

A medida consta no primeiro termo aditivo ao Contrato de Programa nº 168/2026, firmado pelo município em agosto deste ano. De acordo com o documento, o valor, porém, não será acrescido como uma nova despesa ao contrato. O termo estabelece que os R$ 1 milhão recebidos antecipadamente serão compensados nos créditos gerados pelas medições do fornecimento de CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente).

Além disso, na última sexta-feira (18), a Prefeitura de Campo Grande assinou a ampliação da operação tapa-buracos com a ordem de serviço para cinco novas frentes de trabalho. Segundo o anúncio, as equipes deveriam ter começado a trabalhar na próxima segunda-feira (21), reforçando o atendimento da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos nas sete regiões da Capital.

Por Karina Alencar

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