
Consultas de rotina e check-ups ajudam a conhecer melhor a saúde do coração e orientar os cuidados preventivos
Pressão alta, colesterol elevado, diabetes e até o processo de formação de placas de gordura nas artérias podem evoluir durante anos sem provocar sintomas. O Setembro Vermelho e o Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, reforçam a importância das consultas de rotina e do acompanhamento médico como formas de conhecer melhor a saúde cardiovascular e orientar os cuidados preventivos.
Entre os fatores que merecem atenção estão hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo, sedentarismo, doença renal e histórico familiar de doença cardiovascular precoce. Alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool e estresse também podem contribuir para o aumento do risco cardiovascular.
“Não devemos esperar necessariamente aparecer dor no peito, falta de ar ou palpitações para começar a cuidar da saúde cardiovascular. Uma pessoa pode se sentir perfeitamente bem e, ainda assim, apresentar fatores de risco que precisam ser identificados e controlados”, explica o cardiologista do Hospital do Coração, Dr. Gustavo Anzolin.
Check-up começa na consulta
Não existe uma idade única para que todas as pessoas iniciem acompanhamento cardiológico. A necessidade de avaliação depende das características de cada paciente. Pessoas mais jovens com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade importante ou histórico familiar de doença cardiovascular precoce, por exemplo, podem precisar de avaliação antes de indivíduos sem esses fatores. Com o avanço da idade, o risco cardiovascular aumenta e o acompanhamento ganha ainda mais importância.
Segundo Anzolin, o check-up cardiovascular deve começar pela consulta médica, e não por uma lista previamente definida de exames.
“O primeiro passo é conhecer a idade do paciente, seus sintomas, histórico familiar, hábitos de vida, doenças prévias, medicamentos, pressão arterial e fazer o exame físico. A partir dessas informações conseguimos estimar o risco cardiovascular e decidir quais exames realmente acrescentam alguma informação”, explica.
Dependendo do perfil, exames laboratoriais, aferição da pressão arterial e eletrocardiograma podem ser suficientes naquele momento. Em outros casos, podem ser indicados ecocardiograma, teste ergométrico, MAPA ou exames de imagem das coronárias.
“O objetivo é utilizar o exame certo, para o paciente certo e no momento certo”, afirma o cardiologista.
Riscos que agem em silêncio
Hipertensão e colesterol elevado estão entre os principais exemplos de fatores que podem causar danos antes que o paciente perceba qualquer alteração.
Quando não controlada, a pressão alta pode provocar progressivamente alterações no coração, rins, cérebro e vasos sanguíneos. Já o colesterol elevado, especialmente o LDL, participa da formação das placas de aterosclerose nas artérias. Em algumas situações, a primeira manifestação da doença cardiovascular pode ser justamente um evento grave, como infarto ou AVC.
Para reduzir os riscos, o especialista destaca o controle adequado da pressão, diabetes e colesterol, além do combate ao tabagismo, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e manutenção do peso.
Outro ponto importante é conhecer o risco cardiovascular individual. Pacientes com vários fatores de risco ou com doença cardiovascular já estabelecida podem precisar de metas diferentes para pressão arterial, colesterol e glicemia.
Quando o coração dá sinais
Embora a prevenção deva começar antes dos sintomas, reconhecer rapidamente os sinais de uma emergência cardiovascular também é fundamental.
Dor ou pressão no peito, especialmente quando acompanhada de falta de ar, suor frio, náuseas ou mal-estar e quando persistente, exige procura rápida por atendimento médico.
“No infarto, tempo significa músculo cardíaco. Quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento, maiores as chances de preservar o coração e salvar vidas”, alerta dr. Anzolin.
No Hospital do Coração, pacientes que chegam à emergência com dor torácica ou sintomas equivalentes são atendidos por meio de um protocolo específico. A prioridade começa já no primeiro contato com a equipe de saúde.
Segundo a gerente de enfermagem Alice D’Cácia, o próprio totem de atendimento disponibiliza a opção “Dor Torácica”, que aciona imediatamente a classificação de risco. Identificada a queixa, o eletrocardiograma é realizado e o paciente é encaminhado à área vermelha para avaliação médica e condução do caso pelo plantonista.
O enfermeiro responsável pela classificação identifica os pacientes que atendem aos critérios do protocolo, realiza o ECG ainda na sala de triagem e aciona o médico do pronto-socorro e a equipe do box de emergência.
“O protocolo busca garantir o diagnóstico rápido de síndromes coronárias agudas e de outras condições graves, como dissecção de aorta e embolia pulmonar, mantendo a segurança do paciente e permitindo a condução adequada do tratamento”, explica Alice.
O protocolo pode ser acionado diante de desconforto no tórax, na região retroesternal ou precordial, com ou sem irradiação para membros superiores, dorso, mandíbula ou epigástrio.
Da prevenção ao tratamento
No Hospital do Coração, o acompanhamento cardiovascular inclui desde a prevenção e investigação diagnóstica até situações de maior complexidade. A unidade dispõe de métodos diagnósticos cardiológicos e exames de imagem cardiovascular, incluindo angiotomografia das artérias coronárias, além de Hemodinâmica para diagnóstico e tratamento de doenças coronarianas, Cirurgia Cardiovascular e estrutura hospitalar especializada para pacientes cardiológicos.
Para o especialista, a mensagem central do Setembro Vermelho é antecipar esse cuidado.
“Não espere o coração dar um sinal para começar a cuidar dele. Não sentir nada não quer dizer que está tudo bem. Conhecer os fatores de risco e controlá-los precocemente ainda é uma das melhores formas de evitar que a primeira manifestação de uma doença cardiovascular seja justamente um evento grave, como um infarto ou um AVC”, conclui.
Arte para falar de saúde
A campanha do Setembro Vermelho também ganha uma abordagem artística com a participação do artista brasiliense Toys, convidado pelo Grupo Santa para criar um coração pulsante como elemento da comunicação sobre saúde cardiovascular.
O coração humano já faz parte do universo visual do artista e, na obra desenvolvida para a campanha, foi usado para transmitir conceitos como energia, força, vitalidade e saúde.
“A ideia foi trazer um ícone que já aparece nos meus desenhos: o coração humano. Quero que esse elemento transmita energia e força, características marcantes de uma vida saudável”, explica Toys.
No Hospital do Coração, a identidade visual desenvolvida pelo artista estará presente em peças digitais para as redes sociais e o site da unidade. A programação também inclui a ação “Cartas de Coração”, que convida pacientes a escrever mensagens para colaboradores e médicos que participaram de suas jornadas de cuidado. As cartas serão entregues aos profissionais como forma de valorizar os vínculos construídos entre pacientes e equipes do hospital.
O processo criativo da campanha também será apresentado nas plataformas digitais. Para Toys, aproximar arte e saúde é uma forma de despertar emoções e ampliar a mensagem de conscientização. “A arte tem um papel fundamental nas emoções e nos sentimentos. Ela pode inspirar, motivar e levar esperança e cor às pessoas”, afirma. A proposta original da campanha já prevê o registro do processo criativo e a ação das “Cartas de Coração”.
SERVIÇO – GRUPO SANTA (UNIDADE MATO GROSSO DO SUL)
HOSPITAL DO CORAÇÃO
Endereço: Rua Marechal Rondon, 1703, Centro – Campo Grande/MS
Telefone: (67) 3323-9119 / (67) 3323-9150.
