Açougueira enfrentou preconceitos e, com muito esforço e educação, se consagrou como a profissional mais querida de Campo Grande

Contrariando todo o machismo que rodeia a profissão de açougueira, aos 39 anos, Gislaine Silva se tornou o centro das atenções em um grupo nas redes sociais por ser considerada a melhor profissional da cidade.
Uma cliente do supermercado em que Gislaine trabalha fez a publicação regada de elogios à açougueira.
“Ela atende todos com paciência, carinho, faz um corte maravilhoso e atende com muita educação”, escreveu a consumidora.

Entrando na onda do post elogioso, diversos outros clientes se pronunciaram com exaltações à Gislaine, e quem não a conhecia fez questão de, a partir de então, se tornar freguês. Ao todo, a publicação recebeu mais de 120 comentários e 1,3 mil curtidas.
“Ela é mesmo!!! Uma simpatia e muito competente! Fico super feliz quando vou lá e ela me atende! Tive o dissabor de ter uma cliente mal-educada na fila que não queria esperar, e ela tirou de letra e colocou a desquerida no lugar dela com muita classe!”, comentou uma consumidora fiel.
“Realmente os comentários não são falsos… Ela sim é super educada, gentil, tem muita paciência e nunca está de mau humor, sempre com um astral lá em cima. Super recomendo”, escreveu outra.
“Pessoas assim o patrão tem que valorizar”, afirmou um participante do grupo. “Essa daí tem que receber aumento de salário”, concordou outra.
“A melhor açougueira que já conheci, coração enorme e muito profissional! ❤️🥰🥰🥰 Por mais pessoas assim na Terra”, desejou uma cliente.
“As mulheres estão trabalhando melhor”, pontuou outra.

O segredo do sucesso
Açougueira há 7 anos, Gislaine conta que a oportunidade de entrar no ramo surgiu enquanto trabalhava na limpeza de uma rede de supermercados de Campo Grande.
“Fui reconhecida por uma gerente que me ofereceu a vaga para trabalhar no açougue. Ela me achava muito educada e falava que eu trabalhava muito. Até quando eu trabalhava na limpeza, eu me portava como sou no açougue, sendo simpática, alegre”, relata.
O início foi difícil e Gislaine teve que se esforçar na adaptação à nova rotina. “Eu comecei do zero, não sabia cortar nenhuma carne. Recebi muitas críticas, muitos queriam me derrubar, queriam me tirar do açougue, falavam que o açougue não era lugar de mulher, mas venci e hoje estou aqui em pé”, afirma a açougueira, empoderada.
Mas, como se não bastasse um recomeço, Gislaine teve dois. Quando saiu da rede de supermercados, voltou a trabalhar como faxineira e atendente em outros estabelecimentos e, novamente, teve seu bom trabalho reconhecido.
“Tive reconhecimento, pediram o meu currículo e me contrataram na hora. Me deram a oportunidade e hoje sou grata aos meus chefes e ao dono, que sempre me ajudou. É isso que levanta a autoestima de um funcionário: os patrões sempre estando ali, apoiando na dificuldade”, destaca.
Após as dificuldades enfrentadas, Gislaine foi consagrada pela clientela como a melhor açougueira da cidade.
“Todos os dias eu recebo elogios dos meus clientes, sem nenhuma reclamação”, afirma.
Para ela, a boa educação e o foco no trabalho são as qualidades que a diferenciam de outros profissionais.
“Educação, carismo e deixar os problemas em casa”, lista os atributos. “Nunca demonstrei meus problemas para os meus colegas, porque, até mesmo se eu tiver algum problema, fica na minha casa. Minhas clientes são bem tratadas, graças a Deus”, destaca.
