O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que apoia o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo, mas evitou assumir um compromisso explícito de reconhecer o resultado do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. A declaração consta de uma carta oficial datada de 15 de outubro e enviada à deputada norte-americana Delia Ramirez.

O documento é uma resposta a uma cobrança feita em setembro por um grupo de congressistas democratas liderado por Ramirez. Na ocasião, os parlamentares enviaram uma correspondência ao secretário de Estado, Marco Rubio, questionando a atuação do governo de Donald Trump em relação ao Brasil e pedindo garantias de que Washington respeitaria o desfecho das urnas brasileiras, além de pedirem explicações sobre a revogação do visto do embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Na resposta, a administração norte-americana declarou que continuará a dialogar com o governo eleito, a sociedade civil e o setor privado brasileiro para promover o comércio e a segurança. O texto enfatiza ainda que os Estados Unidos mantêm interlocução constante no Hemisfério Ocidental sobre integridade eleitoral e governança democrática, inclusive por meio da Organização dos Estados Americanos (OEA). No entanto, o órgão evitou responder diretamente à questão do reconhecimento prévio do resultado certificado e não apresentou justificativas para a medida adotada contra o embaixador brasileiro.

Defesa de sanções e classificação de facções

Além dos temas eleitorais, a carta do Departamento de Estado defendeu as recentes medidas coercitivas adotadas por Washington em relação a autoridades brasileiras e a grupos criminosos.

O governo americano justificou as sanções aplicadas em 30 de julho de 2025 contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na Lei Global Magnitsky. Segundo o documento, as punições foram motivadas por acusações de violações de direitos humanos, prisões arbitrárias e restrições à liberdade de expressão. O texto acusa o magistrado de emitir ordens sigilosas para banir contas em redes sociais e silenciar opositores políticos.

O documento também respaldou a decisão tomada em 28 de maio de 2026 de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. O Departamento de Estado alegou que a medida se fundamenta na ameaça que os dois grupos representam para a segurança regional e dos próprios Estados Unidos, citando o histórico de violência contra civis e forças de segurança, além da expansão de suas redes criminosas em território americano.

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