População aposta em diferentes estratégias para manter a segurança em residências de Campo Grande

Correntes com cadeado, cães, câmeras de monitoramento, sensores de presença, cerca elétrica e concertina: toda ferramenta é bem-vinda na tentativa de conter casos de furtos em residências de Campo Grande.

No entanto, para além do investimento financeiro em dispositivos eletrônicos que podem inibir a ação de criminosos, há moradores que apostam na mobilização coletiva. Grupos de vigilância comunitária têm se fortalecido com a criação de canais em redes sociais, permitindo uma comunicação mais direta e rápida entre vizinhos. É o caso dos moradores da região do Prosa.

Há cinco anos, Elias Camilo, morador da região há 35 anos, criou o primeiro grupo no WhatsApp para facilitar a troca de informações entre vizinhos sobre situações suspeitas e acontecimentos no bairro. A iniciativa deu tão certo, que hoje existem três grupos, cada um com mais de mil integrantes, intitulados Guardiões da Região Prosa.

“Hoje não é mais só a região do Prosa. Nós trabalhamos com três grupos, incluindo moradores do Nova Lima e do Segredo. Ao todo, são cerca de 3.200 pessoas, e tentamos conhecer quem mora ao nosso lado, quem vive próximo da gente, para que possamos ter mais segurança. Quando alguém precisa sair, avisa no grupo: ‘Olha, vou viajar’, ‘Vou sair’, ‘Estou precisando de ajuda’ ou ‘Está acontecendo tal coisa’. Não é um grupo para dar bom dia ou boa tarde, é um grupo de ação”, explica Elias.

Além dos moradores, policiais e guardas civis metropolitanos também participam dos grupos, seja por meio de parcerias, seja por também residirem na região. Esse acesso direto à informação possibilita uma atuação mais rápida e efetiva das forças de segurança quando algum morador identifica movimentações suspeitas no bairro.

“Nós informamos sobre tudo o que nos parece suspeito. Se houver um carro parado há muito tempo, queremos saber de quem é e por que está ali. Se aparece uma pessoa estranha no bairro, alguém que ninguém conhece, buscamos identificar quem é. A gente tenta manter essa comunicação constante para aumentar a segurança de todos”, relata.

A existência e a continuidade dos grupos indicam que a iniciativa tem dado resultados e serve de exemplo para outras regiões de Campo Grande que ainda não contam com ações de ‘vizinhança amiga’.

“Nós temos problemas, como todo lugar tem, mas não na mesma proporção de outros bairros de Campo Grande, porque conhecemos as pessoas que moram aqui. Sabemos quem é da região, quem não é e quem está chegando”, pontua Elias.

São três grupos, cada um com mais de mil membros. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Estratégias populares

Um morador, que, por segurança, prefere não se identificar, está no grupo Guardiões da Região do Prosa há dois anos e afirma que ter essa rede de apoio traz muito mais tranquilidade, especialmente durante suas viagens, quando se ausenta por mais tempo. Sua casa já foi alvo de furtos; por isso, adota todas as estratégias possíveis para manter a segurança do imóvel.

“Nossa residência conta com circuito de câmeras, sistema de alarme, muros altos com concertina, sensores de presença, além de travas e cadeados reforçados em portas e portões. Também temos cachorros que auxiliam na vigilância. Mesmo com todo esse aparato, ainda nos sentimos inseguros em diversas ocasiões.”

Segundo o morador, o trabalho da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana é contínuo, o que traz a sensação de segurança para a vizinha. A população sempre é atendida rapidamente.

“O problema reside no segundo pilar: o Judiciário. Infelizmente, o esforço policial é muitas vezes neutralizado em audiências de custódia, onde indivíduos presos em flagrante são liberados rapidamente. Isso gera uma sensação de inversão de valores, em que o cidadão de bem vive trancado por medo, enquanto criminosos permanecem soltos”, explica.

“Na nossa região, o cenário é agravado pela ocupação do edifício conhecido como “Carandiru”, um ponto central de receptação e tráfico de drogas. Apesar de existir um processo para a remoção do prédio, assinado por milhares de moradores, a Justiça protela a decisão, esquivando-se da responsabilidade. Como consequência, sofremos com a desvalorização dos nossos imóveis e com ruas que, cada dia mais, assemelham-se a uma ‘Cracolândia’”.

“Para melhorar este cenário, acredito ser necessária uma ação conjunta entre o Judiciário, a Prefeitura e as forças policiais, com o objetivo de realocar as famílias do edifício, demolir ou devolver a estrutura ao proprietário e oferecer tratamento aos dependentes químicos. Além disso, é fundamental que delinquentes reincidentes permaneçam detidos, garantindo que o policiamento local não continue apenas ‘enxugando gelo’”, conclui.

Câmera de segurança e cerca elétrica. (Alicce Rodrigues, Midiamax)

Recomendações para a população

O delegado adjunto da Defurv (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos), Jackson Frederico Vale, explica que a população pode adotar algumas medidas que inibem os furtos em residências. Essas mesmas ações podem contribuir, inclusive, em investigações de roubos ou furtos na região.

“Nós observamos, no dia a dia da investigação, que as câmeras de segurança ajudam muito. Elas não impedem totalmente o crime, mas inibem e, principalmente, auxiliam na identificação e prisão dos autores. Hoje, ter câmera de segurança é algo essencial”, explica.

O delegado frisa que algumas investigações deixaram de evoluir por falta de imagens. A popularização das câmeras de segurança tem contribuído com os trabalhos policiais.

“Já tivemos casos em que furtos acabaram evoluindo para crimes mais graves e não foi possível avançar na investigação justamente pela falta de imagens. Além das câmeras, todos os outros mecanismos de proteção são válidos: alarmes, cercas elétricas, concertinas, reforço em portões e fechaduras. Tudo o que dificulte a ação do criminoso contribui para a proteção do imóvel.”

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