Tributação mais alta sobre compras internacionais busca aumentar a arrecadação dos estados

A proposta de aumento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre compras internacionais, passando de 17% para 20%, tem gerado discussão entre os consumidores. A medida, que visa aumentar a arrecadação dos estados, pode impactar o custo final dos produtos adquiridos em sites estrangeiros, como Shein, Shopee e AliExpress. Apesar da possível elevação nos preços, muitas pessoas ainda acreditam que as compras online continuarão sendo mais vantajosas do que no comércio local.

A fisioterapeuta Bruna Carolina, de 24 anos, costuma comprar mensalmente em plataformas internacionais e já está ciente do aumento do ICMS. “Acredito que sim, vai impactar, mas ainda assim os preços na internet continuam mais baratos do que nas lojas físicas”, avalia. Ela afirma que, mesmo com o acréscimo da alíquota, os sites internacionais oferecem uma variedade maior de produtos e preços mais acessíveis.

As jovens Laiza Rodrigues, de 17 anos, e Milena Quintela, de 14, compartilham da mesma opinião. Elas realizam compras em sites estrangeiros a cada dois ou quatro meses, gastando em média entre R$ 100 e R$ 200 por mês. “A gente já está consumindo menos por conta dessas taxas, mas mesmo assim ainda compensa comprar fora, porque o mercado nacional não é competitivo”, afirma Laiza. “Tem coisas que a gente não encontra em lojas físicas, só na internet”, acrescenta Milena.

“Mesmo com essas mudanças, os preços lá fora ainda são mais baixos do que no mercado nacional”, Elisângela Silva de Araújo, funcionária pública Foto: Nilson Figueiredo

Para a funcionária pública Elisângela Silva de Araújo, de 44 anos, o aumento do ICMS pode reduzir ainda mais o consumo nas plataformas estrangeiras. “A gente compra justamente pelo preço mais em conta. Se continuar subindo as taxas, não vai mais compensar”, argumenta. No entanto, ela ainda vê vantagem nos sites internacionais. “Mesmo com essas mudanças, os preços lá fora ainda são mais baixos do que no mercado nacional.”

Impacto no consumo e na arrecadação

Segundo o economista Eugênio Pavão, o aumento do ICMS pode resultar em um impacto moderado para o consumidor final, especialmente em compras de pequeno valor, mas tende a beneficiar o varejo nacional. A tributação sobre produtos importados é uma estratégia do governo para equilibrar a concorrência com o comércio local, que enfrenta desafios para competir com os preços praticados por empresas estrangeiras.

“O principal objetivo da medida é aumentar a arrecadação dos estados, mas também incentivar o consumo no mercado interno”, explica o economista. “Contudo, enquanto o preço dos produtos nacionais continuar elevado, os consumidores ainda vão optar pelas compras internacionais, mesmo com a tributação.”

Outro ponto levantado pelo especialista é que a medida pode ter um efeito indireto sobre a inflação, uma vez que parte dos consumidores poderá migrar para compras nacionais, pressionando os preços no varejo interno. “O aumento da demanda por produtos nacionais pode gerar um reaquecimento do setor, mas também exige que as empresas brasileiras revejam seus custos e margens de lucro para competir melhor”, acrescenta.

Comércio nacional segue menos atrativo

Mesmo com o possível encarecimento das compras internacionais, muitos consumidores ainda enxergam as plataformas estrangeiras como mais vantajosas. A variedade de produtos, os preços reduzidos e a facilidade de acesso são fatores que mantêm essas lojas atrativas, especialmente para públicos jovens, que têm o hábito de comprar regularmente pela internet.

“As pessoas vão continuar comprando fora porque, mesmo com o imposto, ainda é mais barato do que comprar aqui”, afirma a consumidora Bruna Carolina. “Se os preços no Brasil fossem mais acessíveis, a gente compraria mais no mercado nacional. Mas não é o que acontece.”

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