
Comerciantes registram aumento na procura por pacu, tilápia e bacalhau no Mercadão Municipal, onde vendas podem crescer mais de 50% no período.
Com o fim da quaresma, peixarias de Campo Grande já se preparam para a Semana Santa e a Páscoa, datas em que o consumo de peixes e frutos do mar tende a aumentar e movimentar a economia da capital sul-mato-grossense.
No Mercadão Municipal de Campo Grande, as movimentações seguem a todo vapor na procura por pescados. Isso porque a quaresma ainda nem terminou, mas já tem gente buscando peixes para garantir a refeição tradicional da Semana Santa.
É o caso de Orivaldo da Costa Benitez, que já garantiu o seu pacu para a data. “É tradição da família, desde que era pequeno. Na sexta-feira é sem carne vermelha, então para não ficar sem, vim já pegar o meu”, afirma o consumidor.
Ele ressalta que, devido à alta procura, os valores tendem a aumentar no período e, por isso, é melhor garantir antes. “Sim, os preços aumentam, pelo menos uns 10% perto das datas. Então, para não pagar tão caro, eu já compro antes”, explica o aposentado.

Orivaldo da Costa – consumidor
Tradição e fluxo de caixa
Entre os tipos de peixe com maior saída durante o período estão o pacu, tilápia, bacalhau e salmão. Para Cléuber Gonçalves, sócio proprietário de uma peixaria no Mercadão, a procura por esses tipos de peixe cresce mais de 50% nas vésperas da Semana Santa. “É muita procura, a gente sempre precisa estar com o estoque abastecido”, afirma o gerente.
Com mais de 20 anos atuando no mercado, ele garante que todos os anos a demanda aumenta durante o período. “É uma procura que sempre tem e sempre vai ter. Está na tradição do brasileiro, do campo-grandense, nessas datas buscar e consumir peixe”, afirma.
De acordo com comerciantes da Capital, a movimentação nas peixarias começa ainda durante a quaresma e tende a crescer gradativamente até a Sexta-feira Santa. Em alguns estabelecimentos, o fluxo de clientes já chega a ser entre 10% e 15% maior do que em períodos comuns, podendo até triplicar na semana que antecede a Páscoa.
A expectativa do setor é de um aumento ainda mais expressivo próximo ao feriado. Em Campo Grande, comerciantes relatam que as vendas podem crescer até 300% ou 400% em comparação com semanas normais, impulsionadas principalmente pela tradição religiosa de substituir a carne vermelha pelo peixe durante a Sexta-feira Santa.
Setor de supermercados não fica de fora
Além das peixarias, o setor dos supermercados também fica superaquecido durante o período. De acordo com a Amas (Associação Sul-Mato-Grossense de Supermercados) mais de 60% da população do Estado deve comemorar a data. “O IPF MS detectou que 62% dos sul-mato-grossenses vão celebrar da data, com um gasto médio de R$ 176, sendo que a grande maioria, 90%, vai comemorar com a família e amigos, preparando uma refeição em casa. Já, conforme o levantamento da CDL- CG, a data pode gerar R$ 103,7 milhões para a economia da Capital, o que representa um crescimento real de 4,5% em relação a 2025.”
A expectativa é que o aumento seja de 5% no setor do supermercados. “Muitas famílias fazem almoços especiais e acabam consumindo produtos como peixes, azeites, chocolates, entre outros que são típicos desta época, gerando uma expectativa de aumento nas vendas em torno de 5%” afirma.
No cenário nacional, dados da Associação Brasileira da Piscicultura apontam que o consumo de pescado pode crescer cerca de 30% durante a Semana Santa, período considerado um dos mais importantes para o setor.
A tilápia, por exemplo, se consolidou como a espécie mais consumida no Brasil, representando cerca de 68% da produção de peixes de cultivo do país, que chegou a aproximadamente 968 mil toneladas em 2024.
Além da tilápia, peixes regionais como o pacu e o pintado também ganham destaque nas mesas dos sul-mato-grossenses durante a data, reforçando a ligação cultural e gastronômica da população com os pescados da região.
