Feminicida está preso desde quarta-feira (25)

Wellington Patrezi Batista Pereira revelou detalhes do feminicídio contra a própria namorada, Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos. O interrogatório de Wellington mostra como o rapaz foi cruel com a vítima na madrugada de quarta-feira (25), quando o casal discutiu no apartamento onde moravam em Três Lagoas, a 311 km de Campo Grande.
O feminicídio de Beatriz é o 4º registrado em Mato Grosso do Sul neste ano de 2026. A jovem foi a segunda vítima do crime no Estado em quatro dias.
À polícia, o feminicida alegou que a namorada colocava defeitos nas coisas que ele fazia. “Ela sempre colocava algum defeito em tudo que eu fazia. Como ela estava trabalhando, eu estava fazendo as coisas. Em tudo ela colocava defeito, falava que eu não fazia nada que prestava”, disse.
Horas antes do crime, um profissional foi até o apartamento do casal para montar o armário que eles haviam comprado. Wellington disse que Beatriz não teria gostado da montagem e, quando ele foi buscá-la no trabalho, os dois discutiram.
Em determinado momento, Beatriz teria falado para o namorado sair de casa e a discussão se intensificou. Wellington explicou que disse à namorada que não tinha lugar para ir e tentou pegar a chave dela. “Eu peguei dela, nessa que peguei ela me mordeu”.
Depois, a vítima teria dito novamente para Wellington deixar a casa. O casal brigou e Beatriz foi enforcada pelo namorado até perder a consciência. “Aí nós começamos a brigar, ela falou que eu não tinha coragem de fazer nada, que eu era isso e acabou que eu fiquei muito nervoso, não sabia o que fazer, não tinha ninguém aqui. E eu enforquei ela”, confessou.
Ligação para o irmão
Após o crime, o rapaz disse ter ficado em desespero e que pensou em tentar contra a própria vida. Logo, ligou para o irmão. “Liguei para o meu irmão, em Corumbá, contei e ele falou: ‘Se entrega’”.
Ainda durante o interrogatório, Wellington alegou que o casal estava brigando com frequência, mas negou ter agredido a namorada anteriormente.
Diante da orientação do irmão, Wellington contou que procurou uma delegacia na internet, mas chegou a uma unidade e estava fechada. Então, adentrou no Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), ao lado da delegacia, mas não conseguiu contato com ninguém.
Em seguida, o feminicida viu o 2º BPM (Batalhão da Polícia Militar) e confessou o crime. Ele levou os militares até o apartamento onde a namorada estava e, depois, foi conduzido à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário).
Confira trechos do interrogatório:
Na mesma semana em que Beatriz foi assassinada, Nilza de Almeida Lima foi morta esfaqueada em Coxim, a 239 quilômetros de Campo Grande. O feminicídio que vitimou Nilza aconteceu no domingo (22); assim, Beatriz é a segunda vítima do crime em quatro dias no Estado.
Feminicídios registrados em MS em 2026:
- Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro;
- Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro;
- Nilza de Almeida Lima (Coxim) – 22 de fevereiro;
- Beatriz Benevides da Silva (Três Lagoas) – 25 de fevereiro.
