Político foi prefeito em um dos momentos mais críticos da capital de Mato Grosso do Sul

Exatos 3.369 dias se passaram desde que o ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal saiu do Paço Municipal, em 1º de janeiro de 2017. Na terça-feira, dia 24 de março de 2026, ele foi transferido para o Presídio de Trânsito, na Capital, por suspeita de matar o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, 61 anos.
Radialista e advogado, Bernal atirou contra o servidor público na casa que comprou e perdeu por dívidas de financiamento. O imóvel foi leiloado em 2025 e o político lutava na Justiça Federal para recuperá-lo.
Conhecido pelo trabalho na mídia, ele construiu uma carreira política que atravessou duas décadas, mas estava longe dos centros do poder há anos. O ex-prefeito enfrentava diversas ações na Justiça, além de outros problemas com a polícia.
Sucesso como radialista levou Alcides Bernal à política
Natural de Corumbá, Alcides Bernal fez carreira na Rede MS de Rádio e Televisão. Ele apresentou um programa diário e outro dominical na rádio Cidade 97. O sucesso no rádio foi o que o levou para a política.
Em 2004, foi eleito vereador pelo PMN. Concorreu para deputado estadual em 2006, pelo PSL, mas não se elegeu. Conquistou o segundo mandato de vereador em 2008.
O sucesso no rádio e o destaque político o levaram para a televisão. Em agosto de 2009, ele passou a apresentar o programa “Balanço Geral MS”. Então, logo se afastou da TV para concorrer novamente a deputado estadual, em 2010, sendo eleito.
Mandato de Bernal na Prefeitura foi turbulento
Em 2012, após assumir a presidência estadual do PP, Bernal entrou na disputa pela Prefeitura de Campo Grande. A histórica eleição foi marcada pela campanha repleta de denúncias e acusações de ambos os lados.
O então deputado estadual superou o favoritismo do candidato Edson Giroto, na época no PMDB, e venceu o pleito em segundo turno, se consagrando como um fenômeno eleitoral na história de Campo Grande.
Porém, Bernal assumiu a Prefeitura com forte oposição na Câmara Municipal. Ele enfrentou diversas denúncias e até CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), mas o que marcou o mandato foi o seu processo de cassação.
O então prefeito foi acusado de “fabricação de emergência” para compras sem licitação, entre outras irregularidades. O processo chegou a ser parado por ordem judicial, mas levou à cassação do mandato em 12 de março de 2014.
Bernal levou o caso à Justiça, mas o que ele não esperava é que o Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) realizaria a Operação Coffee Break, que afastaria o ex-vice e então prefeito Gilmar Olarte.
Nesse período, o ex-prefeito chegou a disputar o Senado em 2014. A ação judicial de Bernal confirmou, no dia 25 de agosto de 2015, o retorno dele à Prefeitura. Com o município em crise, ele disputou a reeleição com dificuldades e não passou para o segundo turno.
A gestão de Bernal ainda foi questionada por irregularidades, que levaram à sua inelegibilidade. Em 2018, foi impedido pela Justiça Eleitoral de concorrer a deputado federal.
Depois disso, Bernal abandonou a política e focou na carreira de advogado.
