Nas eleições gerais de 2026, os eleitores de Mato Grosso do Sul e das demais unidades da federação deverão escolher dois representantes para o Senado Federal. A dinâmica ocorre devido ao sistema de renovação alternada da Casa Alta, que possui mandatos de oito anos.

Diferentemente do pleito de 2022, quando apenas uma vaga estava em disputa (renovação de um terço), o próximo ciclo eleitoral renovará duas das três cadeiras de cada estado, totalizando 54 das 81 vagas do Senado.

De acordo com o TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul), a configuração da urna eletrônica apresentará espaços distintos para “Senador 1” e “Senador 2”. O órgão alerta que não é possível votar no mesmo candidato duas vezes.

Caso o eleitor tente votar no mesmo candidato ao preencher a segunda vaga, o sistema anula o segundo voto automaticamente, por entender que a escolha para aquele candidato já foi exercida.

No caso de partidos com mais de uma chapa para o Senado, o TRE-MS esclarece que não há problema em votar em dois candidatos da mesma legenda. O importante é que não sejam dois votos no mesmo candidato.

Mecânica de votação e ordem na urna

Para o pleito de 2026, a sequência de votação na urna eletrônica seguirá seis etapas obrigatórias. A orientação técnica é que o eleitor utilize uma “cola” para evitar erros no momento do registro. A ordem definida é:

  • Deputado Federal (4 dígitos);
  • Deputado Estadual (5 dígitos);
  • Senador – 1ª Vaga (3 dígitos);
  • Senador – 2ª Vaga (3 dígitos);
  • Governador (2 dígitos);
  • Presidente da República (2 dígitos).

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) esclarece que a eleição para o Senado é de natureza majoritária simples, elegendo os dois candidatos mais votados em cada estado.

Propostas para ajustar a dinâmica de foto já foram levadas ao Senado, mas não prosperaram. O Projeto de Lei n° 4.629, de 2024, por exemplo, buscava replicar proposta anteriormente arquivada para estabelecer que, na renovação de dois terços do Senado Federal, cada eleitor tivesse apenas um voto. Assim, seriam eleitos os dois candidatos mais bem votados. O texto, contudo, foi retirado de pauta pelo autor, senador Randolfe Rodrigues (PT/AP).

População por dentro?

A reportagem foi às ruas de Campo Grande para saber se a população está por dentro da dinâmica de votos para o Senado neste ano.

A professora Meire Valdez, de 55 anos, relatou que não se lembrava da necessidade de escolher dois nomes. Já a aposentada Lindete Faustino, de 72, demonstrou incerteza quanto à quantidade: “Não tô bem lembrada, é dois ou três, né?”.

Por outro lado, a cozinheira Amanda Caxias demonstrou conhecimento sobre o processo e ressaltou que a atuação do senador inclui a destinação de emendas impositivas para o Estado.

Além da captação de recursos federais, o Senado atua como uma casa revisora de leis. O cientista político Daniel Moreira explica que a instituição representa as unidades federativas de forma igualitária, equilibrando o peso populacional da Câmara dos Deputados.

Segundo Moreira, a lógica é que a Câmara de Deputados discuta de modo amplo e tome decisões, tendo o Senado como um freio moderador, contrabalançando as decisões da Câmara.

“O Senado segue uma lógica de representação federativa, partindo da igualdade entre as unidades federativas. Logo, nesse caso, estados pouco populosos têm o mesmo peso dos mais populosos, equilibrando a representação popular da Câmara. Mas tudo isso é em tese. Pois, na prática, a fórmula eleitoral (que dá muito peso, já na Câmara, aos estados menores) e a atuação coordenadora dos partidos políticos é que ditam a dinâmica das relações entre as duas casas. O Senado retém seu papel revisor e moderador mais devido ao perfil dos senadores (geralmente políticos mais experientes e articuladores).”

O especialista pontua ainda que o mandato de oito anos é uma herança histórica da transição do Império para a República. “O mandato é de 8 anos por razões históricas: ele era vitalício durante o Império. Após a Proclamação da República (1889), a vitaliciedade foi extinta, mas, em compensação, o mandato foi mantido em 8 anos”, afirma.

Responsabilidade sobre a suplência

Outro ponto de atenção no pleito majoritário é a composição das chapas, uma vez que cada candidato ao Senado concorre acompanhado de dois suplentes.

Para o comerciante Claudio Frigeri, a existência de suplentes definidos aumenta a responsabilidade do voto. “Com certeza, né? Porque aí a gente tem que saber se deu algum BO, alguém vai ter que assumir a bronca e tem que saber se ele tem a competência pra assumir essa bronca”, declarou.

Já Lindete Faustino assume uma visão baseada na confiança pessoal no titular da chapa.

“Quando é a pessoa que a gente já conhece, confia em quem está votando, não em quem está por trás. Porque eu acredito que, se a gente confia naquele que está votando, ele também escolheu uma pessoa que seja adequada ao trabalho dele”, concluiu a aposentada.

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