
Eleitores escolherão dois senadores nas Eleições 2026 e partidos se alinham entre alianças e pesquisas
Eleitores de Mato Grosso do Sul vão escolher dois senadores na próxima eleição. O que muita gente não sabe é que, o segundo voto pode ser decisivo para definir quem ocupa a segunda vaga, e até mudar o equilíbrio político do estado em Brasília. O pleito previsto para acontecer em outubro pode renovar até dois terços do Senado, com 54 das 81 cadeiras em disputa. Em Mato Grosso do Sul, apenas Tereza Cristina (PP) continuará no cargo, com Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke (PSB) com chances de sair, caso não consigam a reeleição.
As pesquisas de intenção de voto representam um termômetro para saber em quem a população planeja escolher digitar na urna. Nas últimas duas eleições para o Senado, os números divergiram sobre quem levou a melhor na disputa.
Em agosto de 2018, Soraya Thronicke tinha apenas 6% das intenções, não chegando nem nos cinco primeiros mais quistos, de acordo com a Pesquisa Ibope. Na época, Nelsinho Trad estava com 34% e Zeca do PT com 29%, Waldemir Moka (MDB) estava em terceiro, com 20%.
Os ventos começaram a melhorar apenas em outubro, que a senadora conseguiu alcançar a quinta colocação, com 8% de intenção, segundo a Pesquisa Ibope. De acordo com o instituto, Trad estava com 25% e Zeca com 19%. Zeca estava com uma rejeição na base dos 21%, segundo Ibrape.
Naquele ano, Nelsinho foi eleito com cerca de 424 mil, e Thronicke com 373 mil votos, cerca de 2% de diferença entre primeiro voto e segundo. Zeca que era previsto para se eleger ficou em quarto lugar, com 294 mil votos, atrás de Marcelo Miglioli (PSDB) com 347 mil.
Isso acontece porque o primeiro voto do eleitor, é do candidato favorito, e o segundo tende a ser daquele que tem a menor rejeição para quem vai votar. Na época, Soraya foi eleita pela chamada ‘onda bolsonarista’, mesmo ano que elegeu Tereza Cristina deputada federal.
Já na vez de Tereza Cristina, ela foi a preferida desde o começo. Começou com 34%, de acordo com o Ranking Brasil, em julho e em outubro estava com 51% de intenção, segundo o Ipec. E foi eleita com 60% dos votos válidos, totalizando quase 830 mil votos.
Pesquisas de intenção de voto geralmente possuem uma margem de erro de cerca de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos. Seguindo essa lógica, os números tanto de Soraya quanto de Tereza, foram surpreendes estatisticamente.
Segundo o cientista político Daniel Miranda, essas mudanças entre os dados das pequisas e a votação é explicada pela baixa amostragem. “O principal problema é que a baixa visibilidade da disputa para o senado eleva as margens de erro e torna as sondagens para o senado menos precisas”, elucida ao Jornal O Estado.
A corrida para o Senado sul-mato-grossense
O pré-candidato a presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) esteve em Campo Grande nesta semana e discutiu sobre a escolha pelo segundo senador para montar chapa pelo partido. O PL no Estado terá Reinaldo Azambuja, ex-governador e presidente do diretório estadual, como primeira opção e o segundo senador será decidido posteriormente.
Como já revelado por Azambuja, o parecer seguirá critérios de intenção de votos, baseado em pesquisas quantitativas, com quatro nomes como pré-candidatos: a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira; o ex-deputado estadual Capitão Contar, Azambuja e o deputado federal Marcos Pollon.
O PL está alinhado com a chapa para a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP), junto com a Federal União Progressista, o MDB e o PSDB, contribuindo para um número reduzido de nomes para a campanha de senadores. Na direita, além do PL, o atual senador Nelsinho Trad (PSD) busca a reeleição na Casa e Gerson Claro (PP) se mostrou a disposição para entrar na disputa.
Na esquerda, por enquanto, apenas o deputado federal Vander Loubet (PT) e a senadora Soraya Thronicke (PSB) são os únicos nomes que se mostraram dispostos a concorrer ao Senado. Eles fazem parte da aliança que tem Fábio Trad como candidato ao governo do Estado e trabalham pela reeleição de Lula, podendo dividir votos da esquerda, que ainda tem resistência a pré-candidata ex-bolsonarista.
Nelsinho Trad, que apoia a reeleição do governador Eduardo Riedel, está no grupo que tem Reinaldo Azambuja como primeiro candidato ao Senado, sem chapa do PSD, o parlamentar terá todo o recurso partidário para construir a própria campanha e além disso conta com a tradição familiar. Nelsinho também pode somar o segundo voto, de conservadores que não votam na esquerda, ou petistas que não votam na direita.
Cuidado na hora da votação
Com essa particularidade, o eleitor corre risco de ter o voto anulado caso não se prepare para a votação. A razão disso é que, como há duas vagas, deve obrigatoriamente escolher dois candidatos. Caso seja digitado o mesmo número para ambas as vagas, o segundo voto será automaticamente anulado.
Este modelo de troca serve para que se tenha uma renovação escolada do Senado e garante que seja eleito um ou dois senadores a cada eleição a nível nacional, tendo em vista que um mandato para o parlamento dura oito anos.
Uma das especificidades das eleições para o Senado é que o voto é nominal, com três números compondo o voto ao candidato. Ainda, os senadores concorrem na chamada eleições majoritárias, não sendo permitido votar apenas no partido como ocorre para o cargo de deputado. Serão eleitos os dois candidatos com maior número de votos válidos, não sendo necessário um número mínimo para o partido.
A ordem de votação na urna eletrônica é padronizada em todo o país. O primeiro cargo é para deputado federal, depois deputado estadual, então se vota para a primeira vaga a senador, logo após a segunda, terminando com o número para governador e presidente.
