A imunização é destinada a bebês prematuros e a crianças de até 2 anos com comorbidades

Bebês e crianças de até 2 anos estão oficialmente autorizados a receber a imunização contra o VSR (vírus sincicial respiratório) em Mato Grosso do Sul. A resolução, publicada no DOE (Diário Oficial do Estado) desta terça-feira (17), organiza a aplicação do nirsevimabe — anticorpo monoclonal que previne infecções respiratórias graves — e regulamenta a estratégia anunciada no início do ano. O VSR é o principal causador da bronquiolite.

Em janeiro deste ano, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) iniciou a distribuição do imunizante e definiu o público-alvo, formado por bebês prematuros e crianças de até 2 anos com comorbidades. A aplicação das primeiras doses ocorreu em 2 de fevereiro, na maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande.

Agora, com a nova resolução, o Estado padroniza o atendimento e determina a aplicação do imunizante ainda na maternidade, antes da alta do recém-nascido. Além disso, cria uma rede estadual para organizar o acesso, incluindo maternidades, postos de saúde e centros especializados.

Quem pode se imunizar?

Dose contra a bronquiolite (Pietra Dorneles, Midiamax)

Têm direito ao nirsevimabe bebês nascidos com menos de 37 semanas de gestação e crianças de até 24 meses com comorbidades — ou seja, problemas de saúde que aumentam o risco de complicações respiratórias, como doenças cardíacas, pulmonares e síndrome de Down.

O nirsevimabe é um anticorpo que protege contra o vírus sincicial respiratório, principal causador de bronquiolite e uma das principais causas de internação de crianças pequenas. A medicação, que antes era restrita à rede privada ou a um público mais limitado, passou a ser incorporada ao SUS em 2025, com o intuito de ampliar a proteção aos bebês mais vulneráveis.

Na prática, a nova norma não cria o atendimento do zero, mas organiza e amplia uma estratégia que já estava em andamento. Conforme a SES, a facilitando o acesso das famílias ao imunizante na rede pública.

Onde encontrar?

A resolução também lista as unidades habilitadas para aplicação do nirsevimabe em todo o Estado. Em Campo Grande, o medicamento poderá ser aplicado em maternidades como a AAMI (Associação de Amparo à Maternidade e à Infância), Santa Casa, Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian) e HR-MS (Hospital Regional).

No interior, a oferta inclui hospitais de referência em cidades como Dourados (HU Grande Dourados), Três Lagoas (Hospital Nossa Senhora Auxiliadora), Corumbá (Santa Casa), Ponta Porã (Hospital Regional Dr. José de Simone Netto) e Bonito (Hospital João Bigaton), além de unidades em municípios como Nova Andradina, Rio Brilhante, Aquidauana, Paranaíba, Chapadão do Sul, Jardim e, por fim, Maracaju.

Cenário em MS

upa
Movimentação na UPA Leblon. (Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Em 2025, Campo Grande notificou 3.140 casos de SRAG (síndrome respiratória aguda grave). Do total, 594 estão classificados como infecção pelo VSR, principal causador da bronquiolite e pneumonia. Destes, 391 acometeram bebês com menos de 1 ano. Os dados são do Painel de Síndromes Gripais e Respiratórias da Cievs (Coordenadoria de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde).

A SRAG engloba casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória. As causas variam e incluem o vírus sincicial respiratório, influenza, covid-19, rinovírus, assim como outros agentes virais.

Incorporação ao SUS

incorporação do nirsevimabe ao SUS (Sistema Único de Saúde) ocorreu em fevereiro de 2025, pelo Ministério da Saúde. Até então, a proteção contra o vírus sincicial respiratório estava disponível apenas na rede privada, com custos que variavam entre R$ 1,5 mil e R$ 1,7 mil por dose, podendo chegar a cerca de R$ 4 mil.

No Brasil, há diferentes estratégias contra o VSR. A vacina Arexvy, da GSK, é indicada para idosos. Já a Abrysvo, da Pfizer, pode ser aplicada em idosos, gestantes e pessoas com comorbidades a partir dos 18 anos. Para os bebês, a principal proteção é o nirsevimabe (Beyfortus). Embora chamado de ‘vacina’, o imunizante é um anticorpo monoclonal recomendado para crianças com menos de 2 anos.

Com a inclusão no SUS, a expectativa é reduzir internações e mortes relacionadas ao vírus. Entre 2018 e 2024, o país registrou mais de 83 mil internações de bebês prematuros por complicações associadas ao VSR, como bronquiolite e pneumonia.

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