
Primeira quinzena do ano teve 3,1 mil novos CNPJs no Estado
Redes de outros estados e novos pontos comerciais passaram a ocupar o Centro de Campo Grande neste início de 2026, em meio ao avanço das formalizações em Mato Grosso do Sul, que registrou 3.100 empresas abertas apenas nos primeiros 15 dias do ano.
Entre os registros feitos no período, 98% são pequenos negócios, segundo dados da Receita Federal. A formalização como MEI (Microempreendedor Individual) respondeu por 87% dos novos CNPJs registrados no Estado.
O movimento mantém o patamar observado ao longo de 2025, quando Mato Grosso do Sul alcançou 69.387 empresas formalizadas, maior volume da série histórica iniciada em 2021. Na comparação com 2021, o crescimento foi de 31%, com predominância dos pequenos empreendimentos em todos os anos do período.
Instalada desde setembro do ano passado na Rua Dom Aquino, a Óticas Christian integra esse avanço recente do comércio local. A unidade faz parte de uma rede originária da Região Norte do país.
Segundo a proprietária da loja, Suelen Vitorino, o grupo atua há mais de dez anos no mercado e possui mais de 34 unidades apenas em Manaus, além de lojas no interior do Amazonas, em Santarém, Porto Velho e em processo de expansão para Belém.
“Essa é a primeira unidade no Mato Grosso do Sul. A ideia é expandir gradualmente, começando por Campo Grande”, afirmou.
A escolha pela Capital levou em conta o histórico do franqueador com a cidade. De acordo com Suelen, ele morou em Campo Grande há cerca de 20 anos, o que contribuiu para a decisão de iniciar a expansão no Estado.
“É uma cidade que ele já conhecia e que apresenta características semelhantes às regiões onde já atuamos, especialmente no comércio”, explicou.
O plano prevê a abertura de ao menos dez unidades na Capital ao longo dos próximos cinco anos. Para 2026, a expectativa é inaugurar pelo menos mais uma loja na região central entre abril e maio. Caso o desempenho permita, a empresa estuda abrir novos pontos em bairros até o fim do ano.
Apesar da avaliação positiva sobre o potencial da região central, a empresária aponta entraves enfrentados pelo comércio. Entre eles, a dificuldade de estacionamento e a necessidade de maior sensação de segurança. “A falta de rotatividade de vagas afeta o fluxo de clientes. É uma reclamação constante”, disse.
Também na região central, na Rua 13 de Maio, um novo espaço que reúne serviços de fotografia e cafeteria iniciou as atividades há quatro meses. O estabelecimento nasceu da reorganização de um negócio familiar tradicional no ramo fotográfico, que precisou se adaptar após a retração provocada pela pandemia e pela mudança no perfil de consumo.
O local oferece impressão e revelação de fotos, serviços como fotos 3×4 e estúdio, além de café, pães, salgados e confeitaria. A proposta foi concentrar as atividades em um único ponto após o fechamento de uma antiga loja de bijuterias mantida pela família.
Segundo a supervisora do estabelecimento, Vanessa, a decisão ocorreu após identificar demanda por um espaço que reunisse serviços rápidos e alimentação no Centro. “O público buscava um local onde pudesse resolver tudo em um só lugar”, explicou.
O movimento teve queda no fim de 2025, mas apresentou retomada neste início de ano. “Agora está melhorando. Muitas pessoas comentam que sentiam falta de um espaço assim no Centro”, afirmou.
Para o analista-técnico do Sebrae/MS, Carlos Henrique Oliveira, o número elevado de formalizações no início do ano está diretamente ligado à busca por organização e regularização das atividades econômicas.
“O planejamento é essencial antes da abertura da empresa. É necessário avaliar custos, capital de giro, público-alvo e viabilidade do negócio”, afirmou.
Segundo ele, a formalização permite atuação regular no mercado, facilita o acesso a crédito e amplia a relação com clientes e fornecedores. “No caso do MEI, o modelo ainda oferece tributação simplificada e benefícios previdenciários”, explicou.
