A resistência da França, maior produtor agrícola do continente europeu, à aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, é vista com naturalidade pelo senador sul-mato-grossense Nelsinho Trad (PSD). O país lidera um bloco opositor ao acordo composto por apenas 6 das 27 nações que integram o colegiado europeu. Decisão da maioria, 21 países, aprovou pacto comercial favorável ao Brasil, Paraguai, Uruguai e à Argentina, nesta sexta-feira (9).
Nelsinho, que preside a CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Congresso Nacional, reconhece este como um obstáculo de difícil conciliação, apesar da boa relação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT-Brasil) e Emmanuel Macron (França).
Na visão de Nelsinho, a oposição francesa, por vezes justificada pelas condições sanitárias dos produtos brasileiros, na verdade, está baseada no temor da competição com os produtos do agronegócio brasileiro.
“É muito difícil achar um denominador comum com a França, mas não impossível. Ocorre que, dos 27 países da União Europeia, 20 são favoráveis. Nós temos que nos apegar a esses países que precisam do agronegócio brasileiro”, analisou Trad, destacando que os produtos nacionais já são testados e reconhecidos internacionalmente por sua sanidade e qualidade.
Logo após o anúncio de aprovação do acordo, que consagrou a decisão da maioria dos países europeus para a relação comercial com os latino-americanos, Nelsinho já mobiliza a presidência do Senado para encampar a tramitação que pode dar ao Brasil o protagonismo necessário nesse novo contexto das relações diplomáticas.
“Já liguei para o presidente do Senado, conversei com ele, e disse: joga essa bola no meu peito. Eu vou encaminhar quanto antes a aprovação no parlamento brasileiro desse acordo de livre-comércio, porque, a partir do momento que o Brasil testemunhar isso através do seu parlamento, a gente já sai na frente, e aí não vamos ficar na dependência de divergências que isso poderá ocasionar. Então, há poucas horas, foi anunciada a assinatura desse acordo; e, em poucas horas, nós já agimos. Ele [o presidente do Senado] disse que vai, no início dos trabalhos, em fevereiro, já nos colocar na linha de frente dessa situação”, disse Nelsinho, em entrevista na manhã desta sexta-feira (9).
Efeito para Mato Grosso do Sul
Para o Estado de Mato Grosso do Sul, o acordo é projetado como uma oportunidade histórica de expansão econômica.
A redução de tarifas e impostos para um mercado de mais de 700 milhões de consumidores deve beneficiar diretamente os setores industrial e agropecuário.
Segundo Nelsinho Trad, o momento exige pragmatismo para aproveitar o cenário favorável. “Uma chance como essa não passa na sua frente toda hora. Você tem que montar neste cavalo encilhado para levar para Mato Grosso do Sul as oportunidades do desenvolvimento e dos negócios”, concluiu o senador.
O tratado é classificado pelas autoridades diplomáticas como o maior acordo de livre-comércio da história, selando uma negociação que se estendeu por mais de duas décadas.
