Prefeitura estuda projeto-piloto para entregar duas unidades de saúde a organizações sociais

O plenário da Câmara Municipal de Campo Grande está lotado na sessão desta quinta-feira (26). Manifestantes protestam contra projeto-piloto de terceirização de postos de saúde da Capital.
Antes da sessão começar, houve reunião com vereadores e ficou estabelecido que haverá audiência pública no dia 9 de abril, às 14h, para debater o tema.
Esteve presente na sessão o superintendente do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, Ronaldo Costa. “A saúde é dever do município, Estado e União. Quando coloca privatização, as empresas entram querendo lucro e caminhando para precarização dos serviços”, disse.
A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) estuda implantar um projeto-piloto com organizações sociais nos CRSs (Centros Regionais de Saúde) dos bairros Tiradentes e Aero Rancho.
O vereador Landmark (PT) criticou a iniciativa. “Se esse projeto vier para a Câmara, nosso voto será contra. Nós viemos defender o SUS.”
Ele diz que, em reunião, o secretário municipal de saúde, Marcelo Vilela, informou que, atualmente, as duas unidades consomem cerca de R$ 4,3 milhões por mês (R$ 51,6 milhões por ano), e a expectativa com a gestão via OS é reduzir custos para cerca de R$ 3,9 milhões por mês (R$ 46 milhões por ano) e melhorar indicadores como tempo de espera, produtividade e satisfação dos usuários.
O secretário de Saúde diz que a proposta seria para dar mais agilidade à gestão, reduzir custos e melhorar indicadores de atendimento. A proposta inclui contratação mais rápida de profissionais, menos burocracia na compra de insumos e metas vinculadas a resultados.
Em nota encaminhada à equipe de reportagem, a Prefeitura diz que “A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que a busca por soluções inovadoras, eficientes e modernas para problemas históricos da administração pública é uma diretriz da prefeita Adriane Lopes em todas as áreas, inclusive na saúde. No entanto, nenhuma medida ou novo modelo será adotado sem ampla discussão e diálogo com todos os setores envolvidos”.
O Conselho Municipal de Saúde também reforçou posicionamento contra a medida. “A gente entende que não é a instalação que vai resolver os problemas que hoje a gente encontra dentro do serviço de saúde no município de Campo Grande. A gente sabe que o município de Campo Grande enfrenta diversos problemas relacionados à saúde pública, mas não é simplesmente a colocação de uma OS para gerir a unidade que vai resolver”, disse o presidente da entidade, Jader Vasconcelos.
E justificou: “O principal problema hoje que a gente vive é a falta de leitos hospitalares. A colocação de uma OS para gerir uma unidade de 24 horas não vai criar leito algum e a população vai continuar sofrendo. A população sofre por falta de insumos, de medicamentos, de exames, ofertas de exames na unidade de saúde por falta de reagentes e esses problemas são gerenciais, são de gestão”.
