Pais biológicos teriam chegado à cidade nesta sexta-feira e também responderão por maus-tratos

A criança de 4 anos, resgatada pelo Conselho Tutelar com sinais de tortura em cidade de Mato Grosso do Sul, identificou a agressora como mãe. A mulher, de 51 anos, foi presa nesta quinta-feira (5) e se apresentou como cuidadora da menina, dizendo que assumiu a guarda devido a questões familiares envolvendo os pais.
Os pais biológicos da criança teriam chegado à cidade na manhã desta sexta-feira (6) e também responderão pelos supostos maus-tratos, conforme apuração da reportagem.
O Conselho Tutelar recebeu denúncia anônima na quinta-feira (5) e foi à residência averiguar a situação. Este foi o primeiro relato relacionado à família. A menininha não reclamava de dor, mas tinha ferimentos no rosto, no pescoço, e nas partes íntimas. “Aparentemente estava sofrendo tortura”, afirma uma conselheira tutelar envolvida no caso.
Apesar de todo o sofrimento, a criança é descrita como ‘amorosa’ e chama a mulher presa de ‘mãe’. “Confirmou que ‘a mamãe fez isso’”, relata a conselheira, ressaltando que a menina ainda precisa ser ouvida por escuta especializada. Por conta da pouca idade, aos 4 anos, ela falou poucas palavras ao Conselho, informalmente.
Em respeito aos direitos da criança, estabelecidos pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), o Jornal Midiamax não divulgará informações que podem contribuir para a identificação da vítima, como nomes, fotos e a cidade onde o crime ocorreu.
Denúncia salva
Até esta quarta-feira (4), o Conselho Tutelar não tinha informações sobre a situação de risco da criança de 4 anos. No entanto, a menina – possivelmente – já sofria agressões, já que foram encontradas lesões de diferentes períodos e indícios compatíveis com suposta violência sexual.
A menina residia na cidade de MS com a mulher de 51 anos há cerca de um ano. A menina era frequentemente ouvida chorando intensamente e pedindo socorro de dentro da casa, publicou o Rio Verde News. Porém, ninguém havia denunciado os indícios de maus-tratos, nem ao Conselho Tutelar, nem à polícia.
“A denúncia é a porta para ajudar, porém ficam com medo, mesmo sabendo que todas as denúncias são anônimas. Poderia e teria evitado, porém a denunciante estava com medo e deu poucos detalhes, mas conseguimos ajudar. Tarde, mas ajudamos”, diz a conselheira tutelar envolvida no resgate da menina.
Exames médicos
Ao receberem a denúncia, duas conselheiras foram ao local averiguar o caso. Elas acionaram a Polícia Militar, que conduziu a vítima até o hospital, para realização de exames clínicos. A menina ainda passa por avaliação médica e, só assim, será possível entender a real gravidade da situação.
Há relatos iniciais de que ela pode ter sofrido violência sexual e, inclusive, teria suspeita de infecção sexualmente transmissível. O Conselho tutelar, contudo, não encontrou indícios dessas alegações, que seguem em investigação pela Polícia Civil.
A criança está abrigada em segurança e bom estado de saúde, aguardando ordens judiciais. O Conselho Tutelar segue acompanhando o caso.
