Consumidores encontram diferenças de preço que mais que dobram e precisam ficar atentos à composição dos produtos

O cacau desaparece da fórmula para dar lugar ao “sabor chocolate”, enquanto os preços disparam até 118% em Campo Grande. O que sobra ao consumidor é o desafio de encontrar nas prateleiras um produto que seja, ao mesmo tempo, real e acessível.

Ovos infantis de 80 gramas da Montevergine registraram a maior disparidade, com valores entre R$ 13,90 a R$ 30,35. Entre as linhas tradicionais, a variação também impressiona: Ouro Branco (359 g) chega a 55,6% e Caribe (229 g) a 40,6%, de acordo com pesquisa do Procon-MS.

Nas caixas de bombons, os sortidos variam 34,7% e o Ferrero Rocher (8 unidades) alcança 39,7%. A colomba pascal, alternativa comum ao chocolate, tem diferença de 21,8%.

Muitas vezes, embalagens semelhantes escondem itens com peso, composição e qualidade diferentes, especialmente em ovos infantis, que carregam brindes, estratégias de marketing que influenciam o preço final.
Produtos “sabor chocolate”

Além da variação de preços, o mercado tem apresentado crescimento de produtos classificados como “sabor chocolate”, “composto” ou “cobertura”. Visualmente semelhantes ao chocolate tradicional, esses produtos têm menor teor de cacau e substituem a manteiga de cacau por gorduras vegetais.

A mudança decorre da flexibilização da Resolução RDC nº 264/2005, que reduziu o percentual mínimo de sólidos de cacau nos chocolates ao leite e amargos e na manteiga de cacau do chocolate branco.

Chocolates com maior teor de cacau concentram polifenóis e antioxidantes associados a proteção cardiovascular e efeitos anti-inflamatórios. Já os produtos com menos cacau e mais açúcar e gordura alternativa perdem essas propriedades e se aproximam de alimentos ultraprocessados.

Para a nutricionista Fabiana Casagranda, “ler o rótulo é essencial. Produtos com termos como ‘sabor chocolate’ indicam menor qualidade nutricional e composição diferente do chocolate tradicional”.

Em paralelo, um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados propõe aumentar os percentuais mínimos de cacau, estabelecendo, por exemplo, que chocolates intensos tenham pelo menos 35% de sólidos totais, acima dos 25% atuais. A iniciativa prevê também obrigatoriedade de informar o percentual de cacau nos rótulos.

Por Djeneffer Cordoba 

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