
A equipe do Jornal O Estado foi às ruas de Campo Grande para saber se a população vem se informando em relação as Eleições 2026 e quais são os candidatos que devem concorrer ao pleito. Entre os entrevistados pelo O Estado, a maioria revelou que acompanham o processo eleitoral e quais políticos devem votar para os cargos majoritários. Porém a história é outra em relação aos cargos proporcionais, já que uma das perguntas que foi mais ouvida pela equipe era “quem são os pré-candidatos a deputados?”.
Entre desinteresse, revolta e indefinição, muitos eleitores ainda não sabem quais cargos estarão em disputa nas eleições deste ano. Em entrevistas feitas em Campo Grande, moradores revelaram desconhecimento sobre o pleito, falta de interesse pela política e até intenção de justificar ausência nas urnas. Enquanto alguns já têm candidatos definidos para presidente, governador e parlamentares, outros admitem que sequer acompanham o cenário eleitoral ou sabem em quem votar.
Justiça Eleitoral e a luta pela informação
O devido conhecimento sobre o processo eleitoral é importante para a lisura do pleito, mas com o avanço das IAs (inteligência artificial) e da facilidade da criação de conteúdo inverídico interfere na confiança pública no processo democrático.
A Justiça Eleitoral, por meio do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e dos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais), apresentam programas e projetos de combate as fake news e à desinformação. O TSE lançou em março uma minissérie intitulada “V de Verdade – Em terra de fatos, fake não tem vez”. Ela conta com orientações para ajudar eleitoras e eleitores a reconhecer conteúdos enganosos e a evitar a disseminação de desinformação, especialmente no contexto das eleições.
A iniciativa integra uma campanha da Justiça voltada ao combate às fake news e ao incentivo à adoção de uma postura mais crítica diante do grande volume de conteúdos consumidos diariamente. A proposta é oferecer um roteiro simples de consulta, que auxilie o público a refletir antes de compartilhar mensagens, vídeos e imagens.
O programa ajuda a compreender como a desinformação se espalha e foca no chamado “cinco Vs”. O primeiro é o volume, no qual a grande quantidade de conteúdos disponíveis dificulta a distinção entre o que é verdadeiro e o que é falso. O segundo é a variedade, que foca nos inúmeros temas e formatos (como textos, vídeos e imagens) que pode dificultar a identificação de conteúdos enganosos.
Pesquisas apontam que urnas são as mais atacadas pelas fake news
De acordo uma pesquisa feita pelo Projeto Confia, iniciativa do Pacto Pela Democracia e disponibilizada esta semana, as urnas eletrônicas representam quase metade dos conteúdos falsos sobre as eleições. Já o segundo lugar fica para o STF (Supremo Tribunal Federal) com 27,1%; teorias de fraude na apuração dos votos somam 21,8%, e desinformação sobre o processo eleitoral representam 15,4%.
Segundo Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia, um dos motivos pelo qual a população é muito suscetível a esse tipo de conteúdo é o baixo conhecimento sobre o funcionamento da urna. “As narrativas recorrem a falsas explicações técnicas para sugerir falhas e possibilidades de manipulação. Elementos concretos da experiência de votação, como as teclas da urna e as mensagens exibidas na tela, são utilizados para gerar estranhamento e alimentar dúvidas”.
Ainda assim, de acordo com uma pesquisa da Quaest divulgada em fevereiro revelou que 53% dos brasileiros confiam nas urnas. Porém, em 2022 o índice estava em 82% de acordo com o Datafolha, em levantamento a pedido do TSE.
“Nenhuma dúvida que as tecnologias podem levar à contaminação de eleições, pela captura da vontade livre do eleitor, com as mentiras tecnologicamente divulgadas”, afirmou Cármen Lúcia, presidente do TSE ao afirmar que as fake news são para produzir descrença nas instituições democráticas.
De acordo com uma pesquisa de 2024 produzidas pela UFRJ, através do NetLab UFRJ, revelam que são realizadas campanhas de desinformação com redes estruturadas e divisão de funções e, em 2022, o mesmo laboratório identificou a atuação combinada entre plataformas de redes sociais.
David, 36 anos, vendedor
David contou que prefere pagar multa que participar do pleito. “Os políticos só se preocupam com as pessoas quando está perto das eleições, só se preocupam com o próprio interesse”, declara ao Jornal O Estado.David explica que votará compulsivamente em branco para não perder benefícios sociais. “Eles precisam da gente humilde, porque senão eram candidatos por si próprios. Eles dependem da classe baixa, é muita gente humilde”. E o vendedor demonstra insatisfação com a visita dos candidatos a bairros. “Eles procuram um mês antes das eleições, não vão nem visitar nas casas, vão só nas ruas mesmo”.
Cláudio Leme, 51 e Sandro Machado, 47 anos
Já os taxistas Cláudio Leme e Sandro Machado, de 51 e 47 anos respectivamente, até brincam em que irão votar para “ladrão maior” e “ladrão máximo”. A ideia do político corrupto é compartilhada ainda com David, e os dois taxistas revelam que também não devem votar este ano. Quando perguntados sobre quais serão os critérios para a escolha do candidato, Cláudio responde que será “quem não roubou”, “então ninguém”, completa o colega.
Luiz Cassiano, 77 anos
Com a experiência da idade, tem aqueles que já estão acostumados com as eleições e nem precisam mais de colinha com números, prática comum e totalmente permitida, como Luiz Cassiano da Silva que faz bico de vigia noturno em obras e comenta que está ciente em quais serão os cargos que deve escolher e já sabe em quem votar para presidente. Ele que foi registrado ao PL, votará no Lula para a presidência. “Para governador tanto faz, no caso para presidente da República eu não vou mudar. Eu sempre voto nele, quando ele fundou o partido, que ele foi presidente do sindicato dos metalúrgicos, eu estava lá”.Davi, 36 anos – vendedoCláudio, 51 anos – taxistaSandro, 47 anos – taxista
Gildo, 60 anos
Quem também está decidido e atento aos cargos é o microempresário, Gildo de 60 anos. Ele afirma que já possui candidatos para todos os cargos em disputa. Mesmo ainda sem um candidato para segundo senador, os nomes para presidente, governador primeiro senador e deputado estadual e federal já foram escolhidos. “Eu vou votar no Lula (PT) para presidente, no Vander Loubet (PT) para senador, no Rinaldo Modesto (União) para deputado estadual, na Rose Modesto (União) para deputada estadual e no Riedel (PP) para governador, esses são os meus candidatos”, conta Gildo e explica que os critérios para a escolha foram o da idoneidade e no trabalho realizado para o estado, não estando aberto a mudanças.
Agivan, 56 anos
Já no outro lado do espectro temos Agivan, 56 anos e desempregada, que revela que não conhece quais são os cargos das eleições, quem são os candidatos e nem acompanha o assunto. Para ela, o melhor é manter distância da “politicagem”. Ela ainda diz que não vota em Campo Grande, preferindo justificar a ausência na participação do pleito ao invés de fazer a mudança de zona eleitoral para particição efetiva.
Julisson, 18 anos
Jovem e também com pouca experiência em eleições, passando ela primeira vez pelo pleito nacional, Julisson, de 18 anos, conta que ainda não conhece quais são cargos em disputa ou ao menos os pré-candidatos, ainda segundo o jovem , ele ‘não se interessa pelo assunto”.Gildo – 60 anosAgilvam – 56 anosJulisson – 18 anos
Por Lucas Artur
