
Presos durante a Operação Gutenberg foram levados ao Fórum de Campo Grande na manhã desta quarta-feira (8), onde passaram por audiência de custódia. O procedimento é previsto em lei e serve para que a Justiça avalie a legalidade das prisões, além de decidir pela manutenção, substituição ou eventual revogação das medidas cautelares.
A operação foi deflagrada na terça-feira (7) pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em municípios de Mato Grosso do Sul, além de São Paulo e Goiás.
Entre os investigados está o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Junior Vasconcelos, que atualmente ocupa o cargo de chefe de gabinete do deputado estadual Jamilson Name.
De acordo com o MPMS, as investigações apontam a atuação de uma organização criminosa especializada em fraudar licitações e direcionar contratos públicos para a compra de livros paradidáticos. O grupo teria contado com a participação de servidores públicos corrompidos para viabilizar os contratos.
Ainda conforme as apurações, o esquema movimentou mais de R$ 27 milhões em recursos públicos e é investigado por crimes como corrupção ativa e passiva, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e outros delitos relacionados.
Os investigadores também identificaram que integrantes da organização utilizavam influência dentro da área da saúde para condicionar a autorização de exames, cirurgias e até vagas hospitalares da rede estadual à aquisição dos livros comercializados pelo grupo.
Segundo o Ministério Público, a organização continuava em atividade e mantinha contratos vigentes em diversos municípios de Mato Grosso do Sul no momento da deflagração da operação. As audiências de custódia desta quarta-feira representam uma das primeiras etapas do processo judicial após as prisões.
