O engenheiro e ex-servidor comissionado da Agesul, Felipe Paroschi Jafar, continuará preso após a Justiça negar o pedido de habeas corpus apresentado por sua defesa. Ele é investigado por integrar um suposto esquema que teria desviado R$ 27 milhões de prefeituras de Mato Grosso do Sul.

A decisão foi proferida pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, que entendeu permanecerem os fundamentos que justificaram a prisão preventiva. Entre eles, estão o risco à ordem pública e econômica, a possibilidade de interferência nas investigações, o risco de fuga e a gravidade dos fatos investigados.

Na decisão, a magistrada manteve a prisão de Felipe Jafar e registrou, na íntegra:

“Posto isso, por reputar presentes no caso em tela os requisitos dos arts. 312 e 313, ambos do Código de Processo Penal, INDEFIRO O PEDIDO DE REVOGAÇÃO DE PRISÃO PREVENTIVA OU SUBSTITUIÇÃO DA PRISÃO POR MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS formulado por Felipe Paroschi Jafar“.

Enquanto Felipe permanece preso, sua irmã, Olívia Jafar, obteve liberdade no último sábado mediante o uso de tornozeleira eletrônica e o pagamento de fiança de R$ 20 mil. Já Rossana Jafar, apontada como matriarca da família, e Giovanni Jafar também seguem presos.

Operação Gutenberg

A investigação faz parte da Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que apura a atuação de uma organização criminosa acusada de desviar R$ 27 milhões em recursos públicos por meio de contratos com prefeituras de Mato Grosso do Sul.

Segundo o Gaeco, o grupo utilizava a estrutura da saúde pública para pressionar gestores municipais a adquirirem livros comercializados pelas empresas investigadas. De acordo com as investigações, empresários cooptavam servidores públicos por meio do pagamento de propina para condicionar a liberação de serviços de saúde, como exames médicos e leitos hospitalares, à compra do material impresso.

Os investigadores apontam que o esquema funcionava como um verdadeiro “balcão de negócios” dentro da estrutura da saúde pública. A liberação de exames era utilizada como moeda de troca para obrigar os municípios a firmarem contratos de aquisição dos livros, garantindo vantagens financeiras ao grupo investigado.

As investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos e dimensionar a extensão dos prejuízos causados aos cofres públicos.

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