Cota de 1,106 milhão de toneladas para 2026 já atingiu 90%, com 995,4 mil toneladas de carne brasileira desembaraçadas no país asiático; tarifa adicional pode começar três dias após o limite ser alcançado 

A China já atingiu 90% da cota estabelecida para a importação de carne bovina brasileira em 2026 e poderá aplicar uma sobretaxa de 55% caso o limite anual seja ultrapassado. O alerta foi divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Mofcom (Ministério do Comércio da China).

Até agora, 995,4 mil toneladas de carne bovina in natura do Brasil foram desembaraçadas e entraram no mercado chinês. A cota definida para este ano é de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de 12%.

Pelas regras chinesas, quando a cota atingir 100%, uma tarifa adicional de 55% será aplicada a partir do terceiro dia após o limite ser alcançado. A medida faz parte das salvaguardas adotadas pelo governo chinês para o setor de carne bovina.

Exportações diminuem diante do risco de esgotamento da cota

O avanço da cota ocorre em um momento de forte redução dos embarques brasileiros para a China. Em julho, os frigoríficos do Brasil exportaram 85,7 mil toneladas de carne bovina para o país asiático.

O volume representa uma queda de 47% em relação às 161,8 mil toneladas embarcadas em junho e foi o menor resultado mensal de 2026.

A redução também afetou o faturamento. A receita com as exportações caiu de US$ 1,08 bilhão em junho para US$ 537,8 milhões em julho, uma retração de 50,3%.

Do total enviado no mês passado, 82,7 mil toneladas eram de carne bovina in natura, volume considerado no cálculo da cota chinesa. Essas exportações geraram US$ 529,2 milhões.

Diferença entre embarque e entrada na China

O percentual divulgado pelo governo chinês considera a quantidade de carne que efetivamente passou pelo desembaraço e entrou no território do país.

Já os dados acompanhados pelos frigoríficos brasileiros levam em conta as cargas embarcadas nos portos do Brasil. Como o transporte marítimo até a China pode levar até dois meses, existe uma diferença entre o volume que já saiu do Brasil e aquele que efetivamente foi contabilizado na cota chinesa.

Essa diferença contribui para a preocupação do setor com o esgotamento do limite de 2026.

Setor espera retomada dos embarques apenas no fim do ano

Diante da proximidade do limite, a expectativa entre os frigoríficos brasileiros é de redução dos embarques destinados à China nos próximos meses.

A produção voltada ao mercado chinês deve ser retomada apenas em outubro, segundo a avaliação do setor. Com o tempo necessário para o transporte marítimo, as cargas embarcadas nesse período chegariam à China a partir de novembro e dezembro, ainda sujeitas ao limite da cota de 2026.

A estratégia esperada é concentrar parte dos novos embarques para que cheguem ao mercado chinês somente a partir de janeiro de 2027, utilizando a nova cota anual.

Enquanto isso, o setor acompanha a evolução dos desembaraços chineses e o ritmo de utilização do limite estabelecido para a carne bovina brasileira.

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