Sorveteria registra vendas abaixo do esperado em período tradicionalmente favorável

Se tem uma época em que uma sorveteria deveria comemorar a chegada do calor, é agora. Mas, na Pedaggio Sorvetes, na Rua Barão do Rio Branco, nem os termômetros próximos dos 35°C têm sido suficientes para colocar mais clientes nas mesas. “Vender vende, mas não é como deveria”, resume o comerciante Manoel Mendes, 64, que está há nove anos no endereço.

Para Mendes, o problema está no movimento. “Nem o calor para vender sorvete ajuda”, afirma. Para quem trabalha há décadas no setor, o período deveria estar entre os melhores do ano. “A época boa é agora”, diz. Mas, neste ano, a alta temperatura não veio acompanhada de consumidores.

Mendes conhece bem a mudança porque a empresa tem 43 anos. Na unidade da Barão do Rio Branco, são nove anos de portas abertas. O que ele viu nos últimos dois anos, porém, foi uma piora no movimento. “Esses últimos dois anos estão terríveis. Este ano então não se fala. Estamos tentando sobreviver.”

O problema, na avaliação do comerciante, não é apenas econômico. Ele aponta a insegurança como uma das razões para o Centro perder circulação. Fala da presença de usuários de drogas nas proximidades, da falta de fiscalização e do receio de clientes e comerciantes. “Se tivesse um pouquinho mais de fiscalização”, cobra.

A preocupação, diz, é que situações desse tipo afastem quem poderia consumir. “Tem gente que fica com medo”. A consequência aparece também na paisagem comercial. Mendes cita estabelecimentos que fecharam e pontos que passam meses sem encontrar um novo ocupante.

O Centro perdeu movimento

Entre 2018 e 2025, o número de empresas em funcionamento no recorte analisado do Centro caiu de 3.439 para 826. As transações comerciais diárias passaram de 12,5 mil para 5 mil, uma redução de 60%. O faturamento varejista, que chegava a R$ 25 milhões por mês, caiu para R$ 11,25 milhões, conforme números da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) Campo Grande.

O consumidor que permanece também gasta menos. O levantamento aponta que o ticket médio caiu de R$ 162 em 2018 para R$ 48 em julho de 2025. A região ainda perdeu mais de 800 vagas de estacionamento, outro fator apontado no estudo como obstáculo ao acesso e à permanência dos clientes.

No comércio de climatização

A procura começou a aparecer no comércio de climatização. Na Gazin, a vendedora Janaina Reis conta que, em um único dia, atendeu três clientes que procuravam ventiladores e esperava fechar outras duas vendas. Segundo ela, a procura começou a crescer nos últimos dias, com a sequência de temperaturas elevadas.

O consumidor chega à loja principalmente por necessidade, mas o preço pesa na decisão. “Ele quer promoção, aquele que cabe no bolso do cliente”, explica. Além dos ventiladores, os aparelhos de ar-condicionado inverter, principalmente os de 12 mil BTUs ou mais, estão entre os mais procurados.

Um modelo vendido pela loja, segundo Janaina, está em promoção de R$ 3.499,90 por R$ 2.099,90 à vista. Em 12 parcelas, o valor fica em R$ 2.199,90. A procura, porém, ainda é muito mais de pesquisa do que de compra imediata. “Os clientes ainda estão pesquisando, vendo condições de preços, vendo qual o melhor lugar”, relata.

O calor, por enquanto, tem previsão de continuar. No domingo (16), Sonora e Pedro Gomes registraram 40°C, com umidade relativa do ar de 17%. Nesta semana, as máximas podem chegar a 42°C em pontos do Noroeste de Mato Grosso do Sul. Para setembro e outubro, a previsão é de sensação térmica de até 55°C.

Por Djeneffer Cordoba

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