Matéria-prima sobe até 105% em um ano e reduz poder de compra

O preço do whey protein concentrado, uma das principais matérias-primas utilizadas na fabricação de suplementos proteicos, disparou nos últimos 12 meses e já começa a provocar mudanças no comportamento de consumidores e na estratégia da indústria. Segundo dados da consultoria StoneX, o valor do insumo subiu entre 90% e 105% no período.

No comércio especializado em Campo Grande, o impacto da alta também é percebido. Para Aline Denise Rodrigues, vendedora de uma loja de produtos fitness, a procura pelo whey continua, mas o preço elevado e a concorrência das vendas pela internet influenciam o comportamento do consumidor.

Foto: Nilson Figueiredo

“O aumento foi bem significativo. O que a gente sabe por cima é que está em falta matéria-prima, que o Brasil não produz tanto, e acaba que essa matéria é importada. Aumentou a demanda justamente por conta da caneta”, afirma.

Segundo Aline, consumidores que utilizam medicamentos para emagrecimento e fazem acompanhamento médico costumam chegar às lojas já com orientação para reforçar a ingestão de proteínas. “Quem usa a caneta com receita médica, que vai ao médico, normalmente já recebe a prescrição da proteína, porque a gente sabe que tem uma perda grande de massa muscular, acabam sendo indicados ao consumo desse material proteíco, então há um aumento na procura por essas pessoas”, explica.

Ela ressalta, porém, que esse público representa apenas uma parcela da demanda. Frequentadores de academias e consumidores que já incorporaram os suplementos à rotina continuam comprando proteínas, mesmo diante dos preços mais altos. “A galera que tem essa rotina de estar comprando mantém essa nutrição com suplementos. Mantém, sim”, diz.

Preço leva consumidor para a internet

Além do preço, a facilidade de comprar suplementos pela internet também influencia o movimento nas lojas físicas. De acordo com Aline, muitos consumidores passaram a pesquisar valores e optar por plataformas digitais quando encontram preços mais baixos. “Pode ser também por conta dos valores. Subiu bastante a proteína e aí a procura deu uma diminuída. E tem uma questão na internet também, que a galera compra muito por conta dos valores serem mais baixos”, relata.

É o que acontece com Gabriel Echeverria, enfermeiro e frequentador assíduo da academia. Ele faz uso há mais de 2 anos de suplementação. “Hoje em dia eu compro um pacote de 1kg que dura uma média um mês” afirma.

Com os altos preços nas lojas físicas, ele opta por buscar opções na internet e chega a pagar até 100 R$ na suplementação. “Pago uma média de até 100 reais na unidade, procuro sempre o melhor preço na internet onde fica mais em conta” relata.

Ainda assim, a procura pelo produto permanece, tanto entre usuários de medicamentos para emagrecimento quanto entre consumidores que praticam atividades físicas regularmente.

Proteína vira tendência mundial

A busca por proteínas cresce no mundo, impulsionada pela popularização dos medicamentos GLP-1 e pela chamada “proteinização” dos alimentos. Produtos com proteína adicionada devem crescer cerca de 50% em 2026, enquanto o mercado global de ingredientes proteicos pode chegar a US$ 83,14 bilhões. No Brasil, as vendas de whey no varejo avançaram 124% entre janeiro e outubro de 2025.

Demanda global impulsiona mercado

A procura por proteínas cresce em todo o mundo, impulsionada por mudanças nos hábitos de consumo e pela popularização dos medicamentos da classe GLP-1, usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Como esses remédios podem estar associados à perda de massa muscular, especialistas têm reforçado a importância da ingestão adequada de proteínas durante o processo de emagrecimento.Ao mesmo tempo, a chamada “proteinização” dos alimentos ampliou a oferta de produtos enriquecidos com proteína, de bebidas a itens do consumo diário. A Euromonitor estima crescimento de cerca de 50% desse segmento em 2026. No Brasil, a tendência também avança: as vendas de whey protein no varejo cresceram 124% entre janeiro e outubro de 2025, segundo levantamento da Scanntech em parceria com a McKinsey.

Por Ian Netto

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