Com retorno da bandeira verde em outubro, moradores de Campo Grande cobram alívio real nas faturas

 O anúncio da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) de que a bandeira tarifária passará a ser verde no mês de outubro trouxe a promessa de alívio nas contas de luz em todo o país, encerrando a cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos na bandeira amarela. Contudo, para os moradores de Campo Grande, a redução no papel contrasta com a realidade vivida nas faturas e com a precariedade na prestação do serviço público. Na Capital Mato Grosso do Sul, o valor elevado das faturas soma-se aos sucessivos transtornos provocados por tempestades recentes, que deixaram bairros inteiros às escuras por dias ou semanas, gerando prejuízos financeiros severos e sentimento de desamparo diante da concessionária responsável pela rede elétrica.

 A revolta com o alto custo cobrado e a falta de assistência adequada é exemplificada pelo drama da moradora Tassiane Eginger, residente no bairro Coophatrabalho, na região oeste da Capital. Enfrentando uma fatura mensal que gira em torno de R$ 400, ela relata ter passado quase 15 dias sem energia elétrica em sua residência após o forte temporal que atingiu a cidade. A interrupção prolongada no fornecimento provocou a perda de uma geladeira e de todos os alimentos armazenados em seu interior, além de ter quase queimado seu micro-ondas em razão das constantes oscilações no restabelecimento da rede. Segundo ela, o “vai e volta” de luz e a voltagem irregular são problemas frequentes que assombram diversos moradores do bairro.

 Para a moradora, a cobrança tarifária elevada impõe à distribuidora a obrigação de entregar um serviço ágil e eficiente, o que não ocorreu durante o período de crise na Capital. “A conta é muito cara, bastante caro. E quando deu a tempestade, fiquei quase 15 dias sem luz na minha casa, estava quase louca já. Falei com a empresa e não deram nem retorno. Não tem como viver assim. Tem que abaixar mesmo o valor da conta, porque não está dando para pagar do jeito que está”, protestou Tassiane, ressaltando que paga em dia uma fatura expressiva para no fim ficar desassistida no momento de maior necessidade.

Alívio na tarifa não apaga prejuízos

Os relatos de prejuízos causados pela instabilidade da fiação e pelos picos de luz repetem-se em diferentes pontos de Campo Grande. O vendedor da PAX Real do Brasil, Ronald Alexandre Fernandes, expressa indignação com o custo da eletricidade na Capital e relata momentos de apreensão com seus eletrodomésticos durante as oscilações provocadas pelo temporal. Ele destaca que o impacto financeiro das faturas tem pesado cada vez mais no orçamento doméstico das famílias no Estado.“A conta de luz é muito alta, alta demais. Eles têm intensificado a cobrança com a gente e eu não sei se é devido à alta demanda, mas o valor veio pesado. Durante a tempestade teve oscilação na rede e, nessa oscilação aí, quase queimou meu micro-ondas. Ainda consegui fazer voltar, graças a Deus, mas quase perdi o aparelho. Com tudo o que está acontecendo, é justo que a tarifa fique mais barata em outubro e dê uma baixada de verdade na conta”, relatou Ronald.

 Conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a energia elétrica residencial é um dos itens que mais pressionou a inflação no Estado em 2026. A retração da tarifa na bandeira verde em outubro ocorre pela recuperação dos reservatórios no Sul e Sudeste, reduzindo o uso de termelétricas. No entanto, para os consumidores da Capital que somam prejuízos com eletrodomésticos queimados e alimentos estragados, a mudança de bandeira representa um alento modesto diante da urgência por investimentos na rede e por um atendimento eficiente.

Por Enzo Pereira

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