Pacientes amargam espera de três anos para procedimento ‘simples’ na saúde

O tempo de espera prolongado para conseguir agendar exames ou procedimentos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) é um problema que todo mundo já conhece, mas que preocupa quem está com a saúde debilitada por alguma comorbidade. Há três anos, a rotina do cabeleireiro Maximillian de Oliveira Dias, de 48 anos se divide entre o trabalho e as idas à USF (Unidade de Saúde da Família) – e, vez ou outra, aos postos de saúde de Campo Grande.

“Hoje vim a essa unidade para solicitar uma nova cirurgia de catarata de um olho. Primeiro eu fiz a solicitação no posto, aí me mandaram para o CEM, aí de lá a Central encaminhou para a Santa Casa, aí agendaram, mas quando foi um dia antes eles cancelaram porque iam entrar em greve. Isso já tem três anos”, lamenta ele.

Além da visão comprometida, Maximillian conta que enfrenta diversos outros problemas devido à sua condição de saúde, e um deles é a renovação da CNH (Carteira Nacional de Habilitação). “Preciso renovar minha carteira, mas, como não consigo fazer a cirurgia, vou pegar uma renovação de só 3 anos de forma temporária”, explica.

Mesmo sem ter condições financeiras para arcar com o tratamento, ele relembra já ter feito um mapeamento de preços para ver se conseguiria encaixar no orçamento, mas, ao se deparar com a quantia exorbitante, ele decidiu que não teria para onde recorrer, a não ser pelo Sistema Único de Saúde. “Custa a partir de R$ 8.000 por olho, e eu preciso fazer nos dois, o que ultrapassaria os R$ 16 mil, tendo em vista algumas coisinhas que acabam passando, sempre tem um gasto inesperado”, calcula ele. “Infelizmente é impossível para mim, tenho meus filhos para cuidar, minha mãe que mora comigo, não cabe no orçamento”, avalia o cabeleireiro.

A história de Maximillian não é um caso isolado. O mesmo ocorre com a aposentada Lourdes Rodrigues de Barros, de 67 anos, que há dois anos aguarda na lista de regulação do SUS. “Eu vim para saber sobre a minha cirurgia. Porque desde 2024 que eu estou aguardando. Eu fiz esse ano um lado do olho e o outro ainda não tem data. Então é isso que eu estou tentando ver se consigo marcar. Mas me instruíram para ir no São Julião para ver lá”, conta, desesperançosa com a situação.

Lourdes também foi ao local para solicitar a retirada de um medicamento que faz uso há anos, mas não conseguiu. Mês a mês a aposentada tira do próprio bolso a quantia para poder dar seguimento ao tratamento de saúde. “Já faz 15 dias que eu estou sem o medicamento, mas eu estou comprando, né? […]. Eu queria passar pelo médico para poder pegar o medicamento novamente, mas disseram que é só a partir do dia 1º, para marcar a consulta. Eu vim tentar pegar a receita, mas não deu certo”, afirmou.

Ao procurar o Jornal O Estado para uma denúncia anônima, um morador de Campo Grande também decidiu pedir ajuda para conseguir agendar uma consulta com especialista. Ao ir à unidade de saúde do bairro Mário Covas nesta segunda-feira (28) de setembro, ele foi orientado a buscar os serviços em 2027, porque esse ano já não teria mais a possibilidade.

O que fazer em caso de demora

O Ministério da Saúde orienta que, em caso de demora, o paciente entre em contato com a Ouvidoria Geral do SUS pelo telefone 136, ou com a ouvidoria do município para registrar dúvidas ou reclamações sobre o andamento do pedido.

A equipe de reportagem, por sua vez, procurou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) da Capital para entender a situação e saber o que a administração pública tem a dizer a respeito, contudo, não houve posicionamento diante das reclamações.

Por Karine Alencar

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