Direita prevê vantagem de Flávio Bolsonaro, enquanto vereadores do PT confiam em reação de Lula – Izaias Medeiros/CMCG

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, vereadores de Campo Grande projetam uma disputa acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Na Câmara Municipal, integrantes da direita apostam na vitória do candidato do Partido Liberal, enquanto representantes da esquerda confiam na mobilização de eleitores e no crescimento da campanha petista.

Entre os apoiadores de Flávio, as projeções variam de cinco a seis pontos percentuais de vantagem à expectativa de que o candidato alcance 60% dos votos em Mato Grosso do Sul. Já os vereadores alinhados a Lula estimam desde uma vitória apertada até 53% dos votos.

Direita aposta em vitória de Flávio Bolsonaro

O vereador Professor Riverton (PP) espera a vitória de Flávio Bolsonaro e relaciona uma eventual mudança no comando do Planalto à retomada do crescimento econômico. “O Brasil vive um momento muito difícil e, com a eleição do Flávio, a gente vai ter expectativa de crescimento no nosso país novamente”, declarou. Ele prevê vantagem de seis pontos percentuais para o candidato do PL.

Neto Santos (Republicanos) também manifestou apoio a Flávio. “O Mato Grosso do Sul já mostrou no primeiro turno que a melhor escolha para o Brasil é o Flávio Bolsonaro”. O vereador defendeu que a vitória seja definida democraticamente, com base nas propostas e nos resultados apresentados pelos candidatos.

Leinha (Avante) justificou seu apoio pela necessidade de mudanças e defendeu que os programas sociais ofereçam oportunidades de autonomia financeira. “Eu acho que é muito importante o benefício social, mas que precisa ser uma situação transitória”, afirmou. O parlamentar prevê diferença de cinco pontos percentuais entre os candidatos.

André Salineiro (PL) apresentou uma projeção mais expressiva para Flávio em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, apoiadores trabalham com a meta de alcançar 70% dos votos no Estado, embora considere difícil atingir esse percentual. “Tenho certeza absoluta que no domingo sairemos vitoriosos”, declarou.

Petistas apostam em reação na reta final

Entre os vereadores do PT, a expectativa é de crescimento da campanha de Lula, embora reconheçam a possibilidade de uma disputa apertada.

Landmark (PT) afirmou que a campanha petista ganhou força após o primeiro turno e destacou a mobilização de apoiadores em diferentes cidades. Ele estima uma vantagem de dois milhões de votos para o atual presidente.

Luiza Ribeiro (PT) também acredita na reeleição de Lula e citou pesquisas que apontam empate técnico entre os candidatos. “Essa não é uma eleição em que a gente pode optar pelo outro candidato”, afirmou. A vereadora projeta 53% dos votos para o petista.

Jean Ferreira (PT), por sua vez, considera que o resultado será definido por uma margem estreita, entre 50% e 51% dos votos para um dos candidatos.

CPI do tapa-buraco pressiona por mudanças nos contratos

Além da disputa presidencial, a qualidade do asfalto mobiliza a Câmara Municipal. Os vereadores reuniram 29 assinaturas para pedir a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre os contratos e a execução dos serviços de tapa-buracos.

O presidente da Casa, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), defendeu a revisão do modelo de contratação e a adoção de soluções mais duradouras, como o recapeamento completo de vias. “Esse é um serviço caro, deficiente e que não dá o resultado que as pessoas esperam. A cada chuva que cai surge um novo transtorno na cidade”, afirmou.

Papy questionou a eficiência dos contratos e criticou os gastos recorrentes com reparos que não resistem ao período chuvoso. “O que não dá é gastar milhões e milhões todos os meses por uma operação que, a cada temporada de chuva, faz o campo-grandense acabar se arrebentando nos buracos”.

Último parlamentar a assinar o pedido de CPI, Beto Avelar (PP), representante da prefeita na Câmara, afirmou que a investigação deve esclarecer possíveis irregularidades nos contratos e na execução dos serviços.

O vereador negou que a assinatura represente um rompimento com a administração municipal. “Eu estou muito tranquilo com relação a isso, até mesmo com a prefeita, com todo o Executivo. Isso não quer dizer nada, minha principal função é fiscalizar. A própria prefeita quer dar esses esclarecimentos”, disse.

Avelar afirmou que, apesar de defender as propostas do Executivo, também recebe cobranças da população sobre a qualidade dos reparos. “Eu defendo os projetos, as ideias e as propostas do Executivo aqui, mas isso não quer dizer que as pessoas não estejam me cobrando o resultado desse tapa-buraco”.

O parlamentar adiantou que não pretende assumir a presidência nem a relatoria da comissão.

Por Fernanda Sá e Danielly Carvalho

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