Com investimento de R$ 7 milhões, o Hospital da Criança e do Adolescente com Deficiência da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) foi inaugurado na quinta-feira (2). Com a previsão de começar a funcionar entre o final de 2026 e o começo de 2027, o espaço será dedicado à cirurgias eletivas de alta complexidade para crianças e adolescentes com deficiência, ajudando a desafogar a demanda dos hospitais, com atendimento 100% via SUS (Sistema Único de Saúde).

Após equipado, etapa para qual foram destinados mais R$ 1 milhão, o empreendimento dará início ao fluxo de atendimento com a realização de 30 cirurgias ortopédicas para a correção de pé torto congênito, ampliando o alcance dos atendimentos no decorrer do tempo. Ainda serão assistidos casos de deformidade óssea e articulares, sequelas de paralisia cerebral e condições musculoesqueléticas e de mobilidade.

Para além das cirurgias ortopédicas, o novo hospital ainda realizará procedimentos para correção de fissura palatina, implante coclear e procedimentos de reabilitação. De acordo com o deputado federal Geraldo Resende, também será possível realizar atendimentos que demandam sedação e atendimento especializado para crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e Síndrome de Down, como procedimentos odontológicos.

“O objetivo é dar espaço adequado para as pessoas com deficiência no Mato Grosso do Sul, porque é preciso tratá-las com prioridade. Às vezes, elas têm procedimentos que são muito difíceis de serem realizados e precisam ser marcados com antecedência e, quando chega o dia, correm o risco de ser adiados para dar lugar à uma cirurgia de emergência, então, este espaço também vem para desafogar essa demanda”, afirmou.

Anunciado em 2024, o projeto era um sonho antigo de toda a equipe e pacientes atendidos pela Apae. De acordo com o presidente da instituição, Luiz César Nocera, além de ajudar a desafogar a demanda reprimida, o local também irá contribuir com o pós-operatório dos pacientes, oferecendo fisioterapia, acompanhamento psicológico e outras reabilitações.

“Esse é um sonho que nós temos há anos, porque a APAE já faz trabalhos de reabilitação e agora vamos conseguir realizar a cirurgia e encaminhar o paciente para um pós-operatório que também é feito aqui, melhorando as condições de recuperação”, destacou.

Com capacidade para realizar 60 cirurgias por mês, o titular da SES (Secretaria Estadual de Saúde), Maurício Simões, ressaltou que, além de entregar a estrutura e tecnologia para o atendimento das crianças e adolescentes, ainda há o desafio de manter todos os serviços funcionando com atendimento de qualidade.

“Agora temos o desafio de sustentar, de custear uma unidade hospitalar que certamente exigirá recursos, porque trata-se de uma unidade de maior complexidade. Então, nós temos esse compromisso, não só de entregar o hospital, mas manter o funcionamento com a qualidade e segurança necessária aos pacientes que aqui virão”, pontuou.

A construção teve início em março de 2025 e, apesar de ter recursos garantidos para equipamentos, ainda passará pela fase de implantação de mobiliário e instrumentação necessária. Após a abertura para pacientes, o hospital se tornará referência em procedimentos e reabilitação de crianças e adolescentes com deficiência em todo Mato Grosso do Sul.

Por Ana Clara Julião

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