Fase experimental da Prefeitura desperta expectativa de novos consumidores, enquanto empresários apontam gargalos para o crescimento do setor

A autorização para o teste de 400 patinetes elétricos marca a entrada da micromobilidade compartilhada em Campo Grande. Além da novidade para os usuários, a iniciativa pode influenciar um mercado que já comercializa patinetes, bicicletas elétricas, acessórios e serviços de manutenção.

Nesta quarta-feira (8), a reportagem do jornal O Estado conversou com comerciantes do setor para saber como eles avaliam o avanço desse meio de transporte na cidade e se deve refletir no aumento das vendas.

Para Gabriel Lima, funcionário da Elétrica Move, a iniciativa deve contribuir para o aumento da procura por veículos elétricos. “O projeto vai dar mais visibilidade a esse tipo de produto.As pessoas vão utilizar os patinetes e perceber a economia no bolso, principalmente com combustível. Algumas podem até deixar de usar o transporte público em determinados trajetos, reduzindo esses gastos. Então, acredito que esse projeto vem para ajudar bastante. Vale a pena.”

Gabriel também falou sobre a disponibilidade de mão de obra para manutenção e troca de peças. “Hoje em dia é fácil encontrar assistência técnica. Principalmente aqui na nossa loja, onde oferecemos todo o suporte necessário. É praticamente uma concessionária de motos elétricas. Também contamos com um pós-venda completo, dando todo o auxílio aos nossos clientes.”

Paulo Cardoso, gerente de uma das unidades da Shineray, também concorda com o projeto e afirmou que a divulgação dos patinetes pode aumentar a procura pelos equipamentos e, consequentemente, impulsionar as vendas do setor.
“Muitas pessoas podem começar utilizando os patinetes apenas para pequenos deslocamentos, em trajetos curtos do dia a dia. Com o tempo, ao perceberem a praticidade e os benefícios, é natural que desperte o interesse em ter um veículo próprio para usar quando quiserem, seja na rotina ou nos fins de semana. Por isso, acredito que esse projeto tende a aumentar a demanda e impulsionar as vendas.”

Sobre a assistência técnica, Paulo destacou: “Além disso, tudo o que comercializamos aqui conta com assistência técnica. Temos peças de reposição e oferecemos todo o suporte necessário aos nossos clientes. E, caso a pessoa prefira procurar uma oficina próxima de casa, acredito que também encontrará profissionais capacitados para resolver o problema com facilidade.”

Outro lado: as críticas ao projeto

Para Fernando Ceni, proprietário da Ceni Motorsports, a Capital ainda não possui uma infraestrutura adequada para favorecer o uso de patinetes.
“Como lojistas, percebemos isso na prática. Muitas pessoas procuram esse tipo de veículo, mas acabam concluindo que ele não atende às necessidades do dia a dia. Isso acontece principalmente por fatores como percursos mais longos, ruas com subidas muito íngremes e, principalmente, pela falta de ciclovias. Por isso, acreditamos que, enquanto essas questões não forem resolvidas, o projeto dificilmente terá o impacto esperado, justamente por causa das limitações de mobilidade e da infraestrutura da cidade.”

Sobre a manutenção, Fernando ressalta que o grande desafio hoje é a disponibilidade de peças e componentes. “Por exemplo, os patinetes que estão em circulação pertencem a uma empresa específica, e nós, como lojistas, não temos acesso às peças de reposição. Ou seja, a manutenção desses equipamentos acaba ficando restrita a um grupo específico. No mercado em geral, essa dificuldade também existe. Há muitas marcas disponíveis e poucas peças no mercado, o que acaba levando muitas pessoas a fazerem escolhas equivocadas na hora da compra”, explica.

Em relação à mão de obra especializada, ele afirma que já existem muitos profissionais capacitados. “O maior desafio para quem presta esse tipo de serviço continua sendo a falta de componentes eletrônicos”, reforça.

Fase de teste

O projeto de micromobilidade da Prefeitura de Campo Grande ganhou uma nova etapa nesta terça-feira (7). A data marca o início do período de testes para o aluguel de patinetes elétricos, distribuídos em diferentes pontos da Capital, entre eles a região central, Jardim Polonês, Jardim dos Estados e Parque Sóter.

De acordo com as regras divulgadas pela empresa responsável pelo serviço, para utilizar o patinete o usuário deve ter mais de 18 anos, usar o equipamento de forma individual e circular exclusivamente em ciclovias ou ciclofaixas, respeitando o limite máximo de velocidade de 20 km/h. A devolução também não pode ser feita em qualquer local: os pontos de retirada e entrega são definidos no aplicativo e serão monitorados durante a operação.

A fase de testes tem como objetivo avaliar o funcionamento do sistema em condições reais de uso, permitindo o acompanhamento técnico da operação antes da consolidação do serviço no município. Durante esse período, a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) fará o monitoramento da operação, com análise da utilização dos equipamentos, dos locais de maior demanda, do comportamento dos usuários, da integração com a infraestrutura cicloviária e dos impactos na mobilidade urbana. O aluguel é feito por aplicativo, com desbloqueio por R$ 0,99 e tarifa a partir de R$ 0,33 por minuto.

As portarias que regulamentam a operação em caráter experimental estabelecem regras para a circulação dos equipamentos de mobilidade individual autopropelidos, incluindo normas de estacionamento, limites de velocidade, compartilhamento de dados e responsabilidades das empresas operadoras. As informações obtidas durante a fase de testes servirão de base para o aperfeiçoamento do modelo de operação e para subsidiar futuras decisões sobre a regulamentação definitiva da micromobilidade compartilhada em Campo Grande.

Por Polyana Vera

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