Com salto de 179% na riqueza gerada pela transformação de matérias-primas, Estado para processar riqueza em suas fronteiras e exportar para 153 países

A história econômica recente de Mato Grosso do Sul, ao completar 49 anos de criação, pode ser contada pela transformação física dos produtos que deixam o solo sul-mato-grossense. Onde antes toras de madeira eram transportadas sem processamento, hoje operam megacomplexos fabris que transformam a fibra florestal em celulose exportada globalmente. Da mesma forma, o milho colhido nos campos não viaja mais apenas como grão cru, mas alimenta usinas de bioenergia para virar etanol e nutrição animal, além de abastecer plantéis de suínos e aves que convertem a safra em proteína agregada. Essa mudança de ciclo sintetiza a grande virada estrutural vivenciada pelo Estado: a transição de um polo estritamente extrativo para uma potência de agroindustrialização.

Os indicadores econômicos revelam que a indústria deixou de ser um segmento isolado para se consolidar como o motor do desenvolvimento regional. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) compilados pelo Observatório da Indústria da FIEMS (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), o VTI (Valor da Transformação Industrial), indicador que mede a riqueza líquida gerada ao transformar matéria-prima em produto acabado, registrou expansão de 179% na última década em Mato Grosso do Sul, o maior crescimento do país no período. Como reflexo direto, a participação da indústria de transformação no PIB (Produto Interno Bruto) estadual deu um salto histórico: se em 2002 o setor respondia por 5,5% da economia sul-mato-grossense, em 2023 esse percentual alcançou 14,74%, movimentando R$ 23,8 bilhões. Descontada a administração pública, a atividade industrial figura como o segundo maior setor produtivo privado do Estado, atrás apenas da agropecuária.

R$ 7 bilhões em salários

Para além das planilhas, a dimensão dessa metamorfose ganha contornos sociais expressivos no mercado de trabalho. Com mais de 181 mil trabalhadores formais empregados nos ramos da Transformação, Construção Civil, Serviços Industriais e Extrativo Mineral, o setor formaria uma cidade hipotética marcante. Se esses profissionais morassem em um mesmo município, essa “cidade da indústria” seria a terceira maior população de Mato Grosso do Sul, superada apenas pela Capital e por Dourados, atuando em mais de 8,2 mil empresas ativas. O impacto reverte-se em poder de compra: em 2025, a massa salarial paga pela indústria atingiu R$ 7 bilhões, valor superior ao orçamento público anual de Campo Grande. Além disso, em 2026, a atividade industrial responde por cerca de 50% de todas as vagas formais criadas no Estado, impulsionada pelos investimentos nos novos polos fabris.

Em 153 países

Ao celebrar a data, o presidente da FIEMS, Sérgio Longen, destaca que o ambiente de negócios favorável foi determinante para atrair investimentos. “Quero parabenizar Mato Grosso do Sul pelos seus 49 anos e todos que ajudam a construir essa história, trabalhadores, empresários e sociedade. A gente vê grandes empresas se instalando aqui, outras ampliando suas operações, e com isso mais oportunidades estão surgindo. Vivemos um bom momento, e a indústria contribui muito para esse avanço”, afirma Longen. Essa atração de capital consolidou a presença do Estado no comércio exterior. Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) apontam que os produtos manufaturados sul-mato-grossenses chegam a 153 países. Em 2025, o setor gerou US$ 7,8 bilhões em exportações, liderado pela celulose e papel (40%), complexo frigorífico (32%), sucroenergético (10%) e derivados de soja e milho (7%).

A consolidação desse ecossistema fabril garante que o valor adicionado da produção permaneça no território estadual, promovendo um ciclo virtuoso de empregos qualificados e renda. O economista-chefe da FIEMS, Ezequiel Resende, analisa que os dados comprovam o amadurecimento do perfil produtivo sul-mato-grossense. “O resultado é uma economia mais diversificada e menos dependente da exportação de matérias-primas sem processamento. Em vez de apenas produzir, Mato Grosso do Sul passou a agregar valor dentro de suas próprias fronteiras. O saldo é a criação de empregos, atração de investimentos e aumento da sua participação nos mercados nacionais e internacionais”, destaca Resende. Ao completar 49 anos, Mato Grosso do Sul firma-se como um modelo nacional de integração entre o campo e a fábrica. O Estado que no passado exportava matérias-primas brutas agora processa seu próprio desenvolvimento, assegurando estabilidade econômica, autonomia fiscal e prosperidade para a população dentro de suas fronteiras.

Por Enzo Pereira

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