
Maicon Nogueira e Beto Avelar disputam vaga na comissão enquanto emendas à LOA passam por análise na Câmara
A disputa por uma das cinco vagas da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Tapa-Buraco movimenta a articulação entre vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande. Os vereadores Maicon Nogueira e Beto Avelar, ambos do PP, reivindicam a indicação do partido para integrar a comissão, mas apresentam argumentos diferentes sobre quem deve representar a bancada. Enquanto a Procuradoria da Casa conclui a análise do requerimento, Carlão (PSB) cobra agilidade na formação do grupo para iniciar as investigações.
Beto Avelar, líder da prefeitura na Câmara, afirmou que está colocando seu nome à disposição para ocupar uma das vagas destinadas à bancada do PP. O vereador argumentou que, conforme sua interpretação do regimento, cabe ao líder indicar o representante do partido.
“Eu estou colocando o meu nome. O regimento estabelece que quem indica o membro da CPI é o líder da bancada. O Maicon, ele já foi contemplado, ele já participou da CPI do transporte. Então, diante disso, estou me credenciando. Ainda não tive a oportunidade de conversar com a nossa liderança [Tereza Cristina], mas acredito que, rapidamente, vamos ter uma decisão com relação a esse nome”, afirmou.
O parlamentar também disse que considera deixar a liderança da prefeita na Casa, caso seja necessário para participar da CPI. “Eu tenho esse interesse, se for essa a situação, se tiver algum empecilho, que eu acredito que não tenha, mas até isso eu estou me quantificando”.
Maicon, por sua vez, também afirmou que pretende ocupar a vaga do partido e defendeu que a decisão seja discutida entre os quatro vereadores do PP. Segundo ele, o líder da bancada não tem poder individual para definir o representante. “O regimento interno dizer que ele indica, não é que a figura dele é a que define. Ele representa a bancada, inclusive nós podemos tirá-lo”.
O vereador também questionou a intenção de Beto Avelar de participar da comissão. Para Maicon, a proximidade com o Executivo pode comprometer a atuação do parlamentar durante a investigação. “Não cabe ao líder da prefeita fazer o papel de advogado dela dentro da CPI”. Ele acrescentou que espera integrar a comissão para realizar uma apuração seja “séria, rigorosa” e esclareça os questionamentos da população.
Já Carlão defendeu a instalação da comissão e afirmou que a definição dos integrantes depende da articulação entre as bancadas. Segundo ele, a expectativa é de que a Procuradoria entregue o parecer ao presidente da Câmara ainda nesta semana. “Tem que abrir essa CPI até para investigar e tem que ser urgente. E as bancadas têm que se entrosar, alguém tem que abrir mão para formar os cinco membros ainda essa semana”.
O vereador explicou que, após a conclusão da análise jurídica, o presidente da Casa deverá convocar as bancadas para indicar os integrantes. A comissão terá cinco membros, respeitando a representação partidária.
Após o PSDB ceder sua vaga ao MDB na CPI dos Ônibus, agora é a vez do União Brasil que pode ficar de fora. Segundo informações dos corredores, três vereadores da sigla devem abrir mão da vaga para Leinha (Avante).
Emendas à LOA passam por análise
Enquanto a CPI aguarda a definição dos membros, a Comissão Permanente de Finanças e Orçamento analisa as emendas apresentadas pelos vereadores ao projeto da LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2027.Segundo o presidente do colegiado, Otávio Trad (PSD), todas as propostas foram recebidas e passam por uma conferência para definir quais poderão ser incorporadas ao projeto e quais serão arquivadas.
“Geralmente são arquivadas aquelas que têm algum problema de constitucionalidade ou até mesmo de enquadramento que a peça permite e requer para que possa ser votada em plenário”, explicou.
Trad afirmou que, pelo volume recebido até o momento, a quantidade de emendas deve superar a do ano passado, mas ainda não há um número fechado. A previsão é que a LOA seja votada nas duas últimas semanas do ano legislativo.
Entre as propostas apresentadas pelos vereadores, Luiza Ribeiro (PT) protocolou 108 emendas ao orçamento municipal. Desse total, 20 são impositivas, com R$903,6 mil destinados a instituições que atuam nas áreas de saúde, cultura, assistência social e atendimento à primeira infância. Outras 88 são ordinárias e indicam R$216,5 milhões em investimentos para Campo Grande.
Nas propostas ordinárias, estão incluídas ações como a implantação do Complexo Hospitalar, ampliação dos serviços de diagnóstico, obras de drenagem e pavimentação, melhorias em unidades escolares e criação de espaços de acolhimento e atendimento social.
A proposta da LOA estima orçamento de R$7,7 bilhões para a Capital em 2027, crescimento de 10,67% em relação ao previsto para 2026. O projeto estabelece a previsão de receitas e despesas do município para o próximo ano e ainda depende de análise e votação dos vereadores.
Por Danielly Carvalho e Nayane Aleixo
