A confirmação de casos de febre do Nilo Ocidental em diferentes estados brasileiros colocou autoridades de saúde em alerta para a circulação do vírus no país. Em 2026, foram registrados dois casos em Santa Catarina e dois em São Paulo, enquanto o Piauí investiga um caso provável. Em Santa Catarina, uma paciente morreu após apresentar manifestações neurológicas, embora a causa da morte ainda esteja em investigação.

Apesar da atenção provocada pelos registros, especialistas afirmam que a doença continua sendo pouco frequente no Brasil e que a maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas ou desenvolve apenas manifestações leves.

Segundo o infectologista Álvaro Furtado da Costa, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), menos de 1% dos infectados evolui para formas graves. A recomendação, segundo o médico, é manter a vigilância, principalmente diante da ocorrência incomum de mortes de aves.

“Não há motivo para preocupação, mas é preciso mapear os casos e manter vigilância às aves e locais com mortalidade de aves fora do normal”, afirmou.

Como a doença é transmitida

A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda provocada por um arbovírus do gênero Flavivirus, grupo que também inclui os vírus da dengue, zika e febre amarela. A doença é considerada uma zoonose porque envolve a circulação do vírus entre animais e seres humanos.

O principal ciclo de transmissão ocorre entre mosquitos e aves. Mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos ou muriçocas, adquirem o vírus ao picar aves infectadas e posteriormente podem transmiti-lo a seres humanos por meio de novas picadas.

Pessoas e cavalos também podem ser infectados, mas são considerados hospedeiros acidentais e terminais. Isso significa que, em condições habituais, não desenvolvem quantidade suficiente do vírus no sangue para infectar outros mosquitos.

Por isso, o simples contato com uma ave infectada não é considerado uma forma comum de transmissão da doença. Também não há registro de transmissão direta entre pessoas.

Existem, porém, formas mais raras de transmissão, como por transfusão de sangue, transplante de órgãos, aleitamento materno e da mãe para o feto durante a gestação.

Quais são os sintomas?

A maior parte das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Estimativas do Ministério da Saúde apontam que cerca de 80% dos casos são assintomáticos. Entre os pacientes que desenvolvem manifestações clínicas, a maioria apresenta um quadro leve.

Os sintomas podem incluir febre de início abrupto, mal-estar, falta de apetite, dor de cabeça, dores musculares, dor nos olhos, náuseas, vômitos, manchas na pele e aumento dos gânglios linfáticos.

Em uma pequena parcela dos casos, a infecção pode atingir o sistema nervoso e provocar complicações como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda.

Confusão mental, redução do nível de consciência, tremores e convulsões são sinais de alerta e exigem avaliação médica imediata.

Quem apresentou os casos confirmados?

Em São Paulo, os dois primeiros casos humanos registrados na história do estado foram confirmados em uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, e em uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto.

A mulher havia viajado recentemente para a região amazônica e já se recuperou. A adolescente permanece internada sob cuidados médicos.

Em Santa Catarina, foram identificados dois casos. Uma mulher de 77 anos, de Imbituba, morreu após apresentar manifestações neurológicas. Um homem de 56 anos, morador de Caçador, também apresentou sintomas neurológicos, mas recebeu alta após internação.

O Ministério da Saúde ressalta que a causa da morte da paciente catarinense ainda está sob investigação. Portanto, embora o vírus tenha sido identificado, ainda não é possível afirmar que a febre do Nilo Ocidental tenha sido a causa direta do óbito.

No Piauí, há ainda um caso considerado provável pelas autoridades de saúde.

Existe tratamento?

Não há vacina nem medicamento antiviral específico aprovado para prevenir ou tratar a febre do Nilo Ocidental em seres humanos.

O tratamento depende da intensidade dos sintomas. Nos quadros leves, são indicados repouso, hidratação e acompanhamento médico. Casos graves podem exigir internação hospitalar e até atendimento em UTI, com medidas de suporte, como reposição de líquidos por via intravenosa e auxílio respiratório, quando necessário.

O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica e exames laboratoriais, levando em consideração os sintomas e o histórico de exposição do paciente.

Como prevenir?

Como a principal forma de transmissão ocorre pela picada de mosquitos infectados, a prevenção está relacionada principalmente à redução da exposição aos insetos.

Entre as medidas recomendadas estão o uso de repelente, roupas que cubram braços e pernas e instalação de telas em portas e janelas. Também é importante evitar o acúmulo de água parada, que pode favorecer a proliferação de mosquitos.

Os cuidados devem ser reforçados principalmente entre o entardecer e o amanhecer, período de maior atividade de espécies do gênero Culex.

Outra orientação é evitar o contato direto com aves ou outros animais encontrados mortos. A ocorrência de mortalidade incomum de aves silvestres ou de cavalos com sinais neurológicos deve ser comunicada às autoridades de saúde, pois esses eventos podem ajudar a identificar áreas onde o vírus esteja circulando.

O Ministério da Saúde informou que acompanha as investigações realizadas por estados e municípios e mantém ações de vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar novos casos e possíveis áreas de transmissão.

Por Michelly Perez

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