O governo brasileiro espera receber em novembro uma proposta formal dos Estados Unidos para avançar nas negociações sobre o tarifaço imposto a produtos nacionais. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (8) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que prevê uma nova etapa de diálogo após o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.

Segundo o ministro, os norte-americanos se comprometeram a apresentar uma proposta dentro de três a quatro semanas. A partir do documento, os dois países poderão avaliar a criação de um grupo de trabalho para discutir alternativas e construir um possível acordo comercial.

“O que nós pactuamos na última reunião foi exatamente isso. Eles encaminharão uma proposta e aceitaram essa incumbência em três ou quatro semanas. A partir daí, se for o caso, a gente cria um grupo de trabalho para elaborar as propostas”, declarou Elias Rosa após participar de um evento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Governo descarta influência das eleições nas negociações

Durante a coletiva, o ministro afirmou que o governo brasileiro não aceitará que a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) interfira nas conversas comerciais com o governo de Donald Trump.

Para Elias Rosa, as tratativas devem permanecer restritas às relações econômicas entre os dois países, sem influência de questões políticas internas.

“Nós estamos discutindo comércio exterior, só isso. É compra e venda de bens e serviços, ponto final. Quem quiser colocar a eleição na mesa, não terá o Brasil como um dos dialogadores”, afirmou.

O prazo para a apresentação da proposta norte-americana coloca a próxima fase das negociações para depois da votação de 25 de outubro. O governo brasileiro, no entanto, sustenta que as conversas devem seguir critérios comerciais, independentemente do resultado eleitoral.

Brasil não pretende apresentar oferta inicial

Elias Rosa também reiterou que o Brasil está disposto a chegar a um acordo com os Estados Unidos, mas não pretende fazer concessões antecipadas para retomar o diálogo.

De acordo com o ministro, o presidente Lula já havia comunicado a Trump, em agosto, a disposição brasileira para negociar. Na ocasião, o governo deixou claro que não apresentaria uma oferta como condição para reabrir as tratativas.

“O Brasil está disposto a fazer o acordo, mas não vai fazer concessão, nós não vamos fazer oferta. Porque a injustiça do tarifaço parte deles, não parte de cá”, declarou.

A posição do governo é de que cabe aos Estados Unidos apresentar a primeira proposta, uma vez que as tarifas foram impostas por Washington. A expectativa é que o documento permita identificar pontos de convergência e abra caminho para negociações sobre as condições comerciais entre os dois países.

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