
Cidade articula Porto Seco, aeroporto internacional e integração binacional para atrair operações de comércio exterior
Ponta Porã concentra uma série de iniciativas voltadas à infraestrutura logística e ao comércio exterior na fronteira com o Paraguai, enquanto busca se inserir no eixo da Rota Bioceânica, corredor que liga Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
O principal projeto em estruturação é o Porto Seco da Receita Federal. O investimento inicial previsto é de R$ 75 milhões, com estimativa de R$ 134 milhões até o 11º ano de operação. A projeção indica salto de 33 para 400 liberações aduaneiras por dia.
O projeto é tratado pelo município como base de um polo logístico voltado ao comércio exterior. A integração inclui a RILA (Rota de Integração Latino-Americana) e o Corredor Bioceânico de Capricórnio, que conecta Atlântico e Pacífico.
Há previsão de conexão com o Porto de Concepción, no Paraguai, a cerca de 220 quilômetros da fronteira brasileira. O objetivo é ampliar o acesso hidroviário a mercados da Argentina e do Uruguai pelo Rio Paraguai.
No aeroporto internacional, a Aena Brasil executa obras de R$ 160 milhões. O município negocia com o Governo Federal a binacionalização do terminal, que permitiria operação conjunta com o Paraguai.
Ponta Porã recebeu R$ 51 milhões do Focem (Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul), destinados a infraestrutura e integração de fronteira. O repasse foi aprovado na 66ª Cúpula do Mercosul, em Buenos Aires.
A conurbação com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, reúne cerca de 215 mil habitantes e forma um dos principais polos urbanos da faixa de fronteira do Centro-Oeste. A gestão vê a integração entre os dois lados da fronteira como fator para atrair investimentos em logística e comércio exterior.
A expansão dos projetos ocorre junto à expansão dos corredores logísticos sul-americanos ligados da Rota Bioceânica, que busca ampliar o fluxo de cargas entre Atlântico e Pacífico e encurtar distâncias com a Ásia.
O plano municipal prevê um hub logístico ligado à RILA e busca posicionar o município como alternativa aos fluxos concentrados em Porto Murtinho, principal eixo sul-mato-grossense do corredor bioceânico.
Nos últimos anos, a cidade estruturou projetos em infraestrutura, inovação e formação, como o Parque Tecnológico Internacional, o CEIMPP e o Complexo de Formação e Inovação para a agricultura familiar.
O Parque Tecnológico Internacional recebeu cerca de R$ 17 milhões em recursos públicos e passou a operar com programas de pré-incubação e capacitação de empreendedores, com foco em inovação e negócios ligados à economia de fronteira.
A articulação institucional inclui participação em redes de municípios fronteiriços e agendas do Mercosul. Em outubro de 2025, Ponta Porã sediou uma audiência pública da Comissão Temporária de Integração Fronteiriça do Parlamento do Mercosul, pela primeira vez fora de Montevidéu.
“Ponta Porã é uma cidade de fronteira, mas hoje mostramos que também somos uma fronteira com o futuro”, conclui o prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos.
Por Djeneffer Cordoba
