
Todo mês, antes mesmo de o salário dar conta do supermercado, aluguel, transporte e outras despesas, uma parte do dinheiro já tem destino certo: a conta de luz. Esse é justamente o tema da edição desta semana da série “Para Onde Vai Meu Dinheiro”, que avalia os impactos do aumento nas tarifas de luz e como as mudanças das bandeiras tarifárias ajudam ou prejudicam a renda familiar.
Os consumidores de energia elétrica de Mato Grosso do Sul terão, em setembro, um custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) na conta de luz. O acréscimo na fatura foi publicado pela pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) que manteve a bandeira tarifária amarela para o mês.
Segundo a agência, a decisão está relacionada às condições menos favoráveis para a geração de energia no país, onde o cenário exige maior utilização de fontes de geração com custos mais elevados, justificou.
Na prática, o adicional é calculado de acordo com o consumo registrado em cada unidade. Assim, uma residência que consumir 100 kWh no período terá R$ 1,885 acrescentados em razão da bandeira amarela. Para um consumo de 200 kWh, por exemplo, o adicional será de R$ 3,77.
É importante destacar que a cobrança da bandeira tarifária não substitui a tarifa normal de energia. Ela funciona como um mecanismo de sinalização dos custos de geração e é aplicada conforme as condições do sistema elétrico brasileiro.
Como a bandeira tarifária afeta seu bolso?
O consumidor, Romildo Damasceno, fica sempre atento às mudanças na cobrança da energia. “Sempre dou uma olhada na conta, ver quais são os aumentos e quanto o valor aumentou,se diminuiu, tem que ficar esperto”, afirma o comerciante.
Ele explica que para controlar as contas de casa, têm mantido hábitos que diminuem o consumo de energia, buscando cada vez mais pagar mais barato nas contas de luz. “Lá em casa a gente só liga o ar para dormir, entrou, saiu, apagou a luz, nada de deixar luz ligada”, comenta.
Romildo ainda explica que como essa é uma dívida mensal, ele sempre guarda uma reserva para os débitos de energia. “A média das contas de casa variam entre R$ 100 à R$ 150, então quando o dinheiro entra, sempre separo esse valor para pagar “, relata.
Consumidor deve ficar atento ao consumo
A bandeira amarela vem sendo acionada desde maio deste ano. A permanência do sinal amarelo indica que as condições de geração continuam menos favoráveis.
O sistema de bandeiras tarifárias foi criado em 2015 para informar aos consumidores, de forma mais imediata, quando o custo de produção da energia está maior. As cores verde, amarela e vermelha indicam diferentes condições de geração e, consequentemente, diferentes impactos na conta de energia.
Na bandeira verde, não há cobrança adicional. Já a amarela representa um acréscimo de R$ 0,01885 por kWh. Quando o cenário se torna mais caro, entram em vigor as bandeiras vermelhas, com valores adicionais maiores.
A recomendação é que os consumidores adotem medidas para evitar desperdícios e controlar o consumo de eletricidade.
Equipamentos que permanecem ligados por longos períodos, uso excessivo do ar-condicionado, chuveiro elétrico e aparelhos de alta potência podem contribuir para o aumento do consumo mensal e, consequentemente, para uma conta mais elevada.

Teresa Nascimento é dona de casa e afirma que mesmo tentando diminuir as contas, só têm visto os valores da energia subirem. “A gente tenta dar uma economizada, mas toda vez tá mais caro, de um, dois reais, a conta vai ficando alta. Não lembro de quando paguei menos de R$ 200 em luz, sempre mais que isso”, calcula.
A próxima decisão da Aneel, referente a bandeira tarifária de outubro, está prevista no calendário da agência para 25 de setembro de 2026.
Alguns cuidados ajudam a evitar desperdícios:
Ar-condicionado: mantenha filtros limpos, portas e janelas fechadas durante o funcionamento e evite temperaturas muito baixas. Quanto maior a diferença entre a temperatura externa e a programada no aparelho, maior tende a ser o esforço necessário para climatizar o ambiente.
Geladeira: evite abrir a porta repetidamente e não coloque alimentos ainda quentes. Verifique se a borracha de vedação está em boas condições.
Chuveiro elétrico: o equipamento pode representar uma parcela importante do consumo residencial. Sempre que possível, reduza o tempo de banho e utilize a posição de menor potência compatível com a temperatura desejada.
Máquina de lavar e ferro de passar: procure concentrar o uso e aproveitar a capacidade dos equipamentos, evitando várias operações com pequenas quantidades de roupas.
Iluminação: desligue as luzes de ambientes desocupados e dê preferência à iluminação natural durante o dia. Lâmpadas LED também apresentam menor consumo.
Equipamentos em espera: televisores, computadores, aparelhos de som e outros equipamentos que permanecem em modo de espera continuam consumindo energia. Desligá-los da tomada quando não estiverem em uso pode ajudar a reduzir o consumo.
Por Ian Netto
