
Despesas superiores a 80% da receita limitam lucro e expõem perda de eficiência operacional
Apesar de ampliar a receita, MSGÁS (Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul) segue com margens apertadas, custos elevados e perda de desempenho em áreas estratégicas. De acordo com o último balanço financeiro de 2025, divulgado pela própria distribuidora, evidencia um cenário de crescimento limitado, marcado por pressões estruturais e perda de eficiência operacional.
Segundo especialistas consultados pela reportagem, apesar da empresa registrar aumento na receita líquida, os custos continuam impactando o desempenho. ” A receita foi de R$ 504,9 milhões, mas os custos continuam elevados. As despesas somam R$ 414,1 milhões, mais de 80% do faturamento, resultado de um lucro bruto de R$ 90,5 milhões, um indicativo claro de margem comprimida”, relatou.
A Companhia possuí concessão para atuar na distribuição e comercialização de gás natural canalizado no Estado. Ela atende segmentos residenciais, comerciais, industriais e veiculares (GNV) em Mato Grosso do Sul.
Internamente, a MSGÁS também mostra pouca capacidade de ajuste, mesmo em um cenário mais desafiador, as despesas administrativas seguem elevadas em relação ao ano anterior. Segundo fonte ouvida pelo jornal, “Isso reforça a percepção de uma operação pouco flexível diante de mudanças no ambiente econômico”.
“No campo financeiro, o resultado caiu de R$ 10,4 milhões para R$ 7,5 milhões. Além disso, a carga tributária também aumentou de forma significativa os gastos com imposto de renda e contribuição social sobre o Lucro Líquido (CSLL) subiram para R$ 20,3 milhões, ante R$ 16,6 milhões no ano anterior “, destacou.
Em contrapartida, o lucro líquido apresentou crescimento de aproximadamente 13%, atingindo R$ 49,5 milhões. No entanto, o avanço é considerado modesto quando comparado à evolução da receita. Com isso, a margem líquida da MSGÁS permanece em torno de 9,8%.
A companhia também tem ampliado sua atuação no desenvolvimento de soluções energéticas voltadas ao setor de transporte, com atenção especial ao abastecimento de frotas pesadas por meio do gás natural. A evolução de testes operacionais, associada a implantação de novos pontos de abastecimento e a formação de corredores logísticos sustentáveis, reforça o potencial do gás natural como alternativa energética mais eficiente e de menor intensidade de carbono para o transporte de cargas.
Ainda assim, os números de 2025 revelam uma empresa que cresce em faturamento, mas enfrenta dificuldades para sustentar ganhos maiores. A combinação de custos elevados, perda de receitas estratégicas e piora em indicadores financeiros aponta para um cenário de pressão contínua sobre o desempenho da MSGÁS.
ICMS: Queda na importação derruba arrecadação
Ainda conforme o balanço divulgado, a arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), da empresa em Mato Grosso do Sul sofreu um impacto significativo devido à redução na importação de gás natural da Bolívia, refletindo diretamente nas contas da MSGás e nos cofres estaduais.
No início deste ano, houve queda acentuada no ICMS do gás. Em janeiro, o recolhimento de ICMS sobre o gás natural despencou 43% em relação ao mesmo mês de 2025, passando a 82,17 milhões.
Vale destacar que, a Petrobras tem diminuído o volume de gás importado da Bolívia, que entra no Brasil por Mato Grosso do Sul, reduzindo a base de cálculo do imposto estadual.
A queda no setor de gás contribuiu para um recuo geral de 31,4% na arrecadação total de ICMS do estado em janeiro de 2026, comparado a janeiro de 2025. Com o cenário fiscal, em consequência a queda na arrecadação forçou o governo estadual a adotar medidas de contenção de despesas.
