
Campanha segue até 1º de setembro e convoca crianças, adolescentes e adultos à atualizarem cadernetas
A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) iniciou nesta segunda-feira (3), em Campo Grande, a Campanha Nacional de Multivacinação 2026 com um apelo para que a população atualize a caderneta de vacinação. Durante entrevista ao Jornal O Estado, a superintendente de Vigilância em Saúde e Ambiente, Veruska Lahdo, destacou a preocupação com a baixa cobertura da vacina tríplice viral diante do risco de reintrodução do sarampo, reforçou a importância da imunização contra o HPV (Papilomavírus Humano) e a dengue e orientou adultos e responsáveis por crianças e adolescentes a procurarem as unidades de saúde para verificar possíveis doses em atraso.

FOTO: NILSON FIGUEIREDO
A mobilização, promovida pelo Ministério da Saúde, será realizada até 1º de setembro e tem como objetivo atualizar a situação vacinal de crianças e adolescentes menores de 15 anos. Durante todo o período, as salas de vacinação das Unidades de Saúde da Família estarão preparadas para avaliar a caderneta e aplicar as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação, ampliando a proteção coletiva e reduzindo o risco de reintrodução de doenças imunopreveníveis.
Segundo Veruska Lahdo, embora Campo Grande apresente índices considerados satisfatórios para parte das vacinas, a cobertura da tríplice viral ainda preocupa.
“A gente está com 75% de cobertura, mas temos ao longo do ano para cumprir com a meta do Ministério. A grande maioria das vacinas é de cobertura no primeiro ano de vida, de 95%. Então, as demais, a gente tem uma cobertura até satisfatória em torno de 85% da maioria, porém o sarampo, por conta do risco de reintrodução da doença na Capital e considerando o risco de circulação dela em um estado que é fronteira com o nosso Estado, o risco é maior.”
A superintendente explicou ainda que, diante do aumento do risco de circulação do sarampo no Brasil, houve ampliação da recomendação da vacina tríplice viral para adultos.
“Por conta do risco de retorno do sarampo e da circulação do sarampo no país, ampliou a vacina da tríplice viral para a população adulta, então quem tem até 29 anos precisa ter duas doses comprovadas da vacina e quem tem de 30 a 59 anos precisa ter pelo menos uma dose”, completou.
Sobre a força-tarefa, Lahdo ressaltou que a campanha representa uma oportunidade para toda a população atualizar o histórico vacinal, e não apenas para crianças e adolescentes.
“A gente tem as vacinas que são preconizadas na faixa etária abaixo de 6 meses, então a maioria das vacinas seguem o calendário infantil. Seis meses em diante, quase todas as vacinas já estão disponíveis. Então a campanha de vacinação ela vem para resgatar não vacinados e melhorar a cobertura vacinal de todas as vacinas, então é para todas as vacinas que fazem parte do calendário do Ministério. As vacinas que são dadas na primeira fase da vida e ao longo da idade adulta. Então o ideal é que a pessoa realmente procure a unidade com sua carteirinha de vacinação. O profissional de saúde vai avaliar aquela carteirinha, vai dar uma olhada, vai verificar se tem ou não algum atraso, vai lançar a vacina que muitas vezes não foi lançada dentro do sistema, mas consta na carteirinha, então é uma atualização daquela caderneta.”
Adultos também devem procurar as unidades
Veruska Lahdo orientou que pessoas que não se lembram se receberam determinadas vacinas procurem uma unidade de saúde para que a situação vacinal seja verificada pelos profissionais.
Ela também destacou que o Programa Aluno Imunizado permanece em funcionamento durante todo o ano letivo.
“A gente já fez ao longo desse ano também a campanha de vacinação do aluno imunizado, que são dentro das escolas. Mas claro que a unidade de saúde que verifica a necessidade de estar indo nas escolas. Faz atualização de caderneta constantemente durante o ano todo em todas as escolas e faz também vacinação dentro do ambiente escolar. Isso já é uma estratégia prevista para as unidades de saúde, então a gente tem o Programa Aluno Imunizado, que a gente faz ele o ano inteiro junto com as escolas do município.”
Arboviroses seguem em vigilância
A Secretaria Municipal de Saúde do município de Corumbá confirmou ontem (3), o primeiro óbito por chikungunya na cidade. O caso foi notificado em 16 de julho. A paciente, de 62 anos, moradora do bairro Loteamento Pantanal, foi atendida na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), posteriormente internada e teve resultado positivo para chikungunya no dia 23 de julho. O óbito ocorreu em 28 de julho, na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e com este caso, o Estado soma 29 mortes pela doença e acende o alerta para os cuidados em Campo Grande.
Durante a entrevista ao Jornal O Estado, a superintendente alertou que os cuidados para eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti não podem ser interrompidos. Segundo Veruska, Campo Grande não integra, neste momento, os municípios contemplados com a vacina contra a chikungunya, mas merece atenção.
“A gente não tem a vacina disponível em Campo Grande, não é o município que está como prioridade para o uso da vacina. Então, o que a gente vem trabalhando é toda a questão das arboviroses mesmo, dengue, zique, chikungunha. Por mais que o cenário de Campo Grande seja um cenário positivo em relação às arbovirose, a gente teve um número bem reduzido de casos, a gente não pode relaxar em relação a essas medidas. Então, as unidades, os agentes de endemia continuam com seu trabalho de visita casa a casa.”
Veruska reforçou que a colaboração da população continua sendo decisiva para evitar novos focos do mosquito.
“A gente vem intensificando esse trabalho também ao final de semana, considerando que grande maioria das pessoas não estão em casa durante a semana. A gente tem a programação de fazer mais uma operação no Meu Bairro Limpo logo mais para o final do ano, geralmente em novembro e dezembro, por conta do aumento das temperaturas. O risco da circulação das arboviroses é maior. Então a gente vem fazendo todo esse trabalho que continua de rotina dos agentes de endemia, para que a gente realmente mantenha o nosso município com aquele cenário ainda positivo. Mas sempre lembrando que a população também tem um papel muito importante em tudo isso, porque não adianta o poder público fazer o seu trabalho e a pessoa dentro de casa não colaborar. A gente também precisa contar com o apoio da população para manter seu quintal limpo e não descartar lixo de forma incorreta, principalmente em terrenos baldios.”
HPV e dengue preocupam pela baixa adesão
Durante a entrevista, Veruska Lahdo também fez um apelo para que pais e responsáveis levem adolescentes para receber a vacina contra o HPV, considerada uma importante ferramenta de prevenção de formas graves de câncer.
“A gente precisa também contar com a adesão de toda a população, que o HPV é uma vacina excelente para a prevenção das formas graves contra o câncer. Então é uma ampliação estratégica, segue até 31 de dezembro para essa população de 15 a 19 anos.”
Ela explicou que todas as unidades de saúde oferecem a vacina contra o HPV e lembrou que a imunização contra a dengue permanece disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que ainda apresenta baixa procura.
Ao final, a superintendente reforçou que, embora a preocupação imediata esteja voltada para a tríplice viral, HPV e dengue, todas as vacinas previstas no calendário são fundamentais.
“A tríplice viral por conta do risco de retorno do sarampo. Todas as vacinas são importantes. Então, se o profissional de saúde pegar uma caderneta de vacinação onde está atrasada a dose de poliomielite, poliomielite é uma doença muito grave, então precisa fazer aquela dose. É uma estratégia de aproveitar esse momento, onde o pai ou o responsável leva essa carteirinha de vacinação para que possa verificar.”
Ela acrescentou que, atualmente, a cobertura da tríplice viral permanece em cerca de 75%, abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde, enquanto a maior parte das demais vacinas já alcança aproximadamente 85%.
Para facilitar o atendimento, a Sesau orienta pais e responsáveis a apresentarem documento oficial com foto, o CNS (Cartão Nacional de Saúde), quando disponível, e a caderneta de vacinação. A ausência da caderneta, entretanto, não impede a aplicação das vacinas, já que os profissionais podem consultar e atualizar o histórico vacinal nos sistemas de informação.
