Terceiro maior do mundo, o mercado brasileiro cresce com inovação, novos nichos e procedimentos sofisticados que elevam preços e ampliam a segmentação
O mercado da beleza em Campo Grande segue em expansão e cada vez mais incorpora avanços tecnológicos que impactam diretamente preços, demanda e perfil de consumo. No cenário nacional não é diferente, dados recentes evidenciam a força desse setor: em 2023, as vendas de higiene e beleza atingiram R$ 156,5 bilhões, um crescimento de 12,7%, segundo a Associação Brasileira de Embalagens.
Esse cenário de crescimento consistente ajuda a explicar a rápida evolução de nichos específicos, como o de transplantes capilares e de sobrancelhas, que passaram por uma transformação significativa a partir de 2024, impulsionando uma nova dinâmica econômica no setor.

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Segundo a esteticista e dermatologista Isaura Fasciani, que atua na área desde 2019, a principal mudança foi a introdução da técnica conhecida como FUE com fios longos. O método permite a extração e o implante de fios compridos, respeitando o caimento natural dos pelos, um diferencial que elevou o nível de naturalidade dos procedimentos. “Foi uma virada de chave no transplante de sobrancelhas. Antes, o resultado muitas vezes não agradava, o que limitava a procura”, explica.
O procedimento ficou ainda mais conhecido, após influenciadores digitais postarem resultados dos implantes nas sobrancelhas, como a empresária e influencer,Bianca Andrade (Boca Rosa).
Essa evolução tecnológica não apenas melhorou os resultados estéticos, mas também reposicionou o serviço dentro do mercado. Procedimentos mais sofisticados exigem equipamentos específicos, equipes maiores e maior qualificação profissional, fatores que pressionam os preços para cima. “O transplante com fio longo é mais caro, principalmente pelo instrumental e pela expertise necessária. Nem todo profissional está apto a realizar”, afirma Fasciani.
Consumidores estão mais dispostos a gastar
O custo final de um procedimento varia conforme critérios que vão além da técnica. Formação médica, experiência, estrutura clínica e a presença de equipe especializada, como anestesistas, são elementos que agregam valor. Em clínicas mais estruturadas, o transplante capilar pode envolver até dez profissionais, além de processos rigorosos de seleção e análise dos folículos, o que reforça o caráter premium do serviço.

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Apesar do encarecimento em nichos mais especializados, o mercado da beleza como um todo tem passado por um movimento de democratização. A entrada de novos profissionais, inclusive não médicos, ampliou a oferta de serviços, contribuindo para a redução de preços em determinadas áreas. No entanto, essa expansão também trouxe desafios relacionados à qualificação e à concorrência desleal.
“Com mais pessoas atuando, inclusive sem a devida especialização, os profissionais mais experientes acabam se destacando e conseguem cobrar mais”, diz Fasciani.
Do lado da demanda, o Brasil mantém sua posição como um dos principais consumidores globais de serviços estéticos. A vaidade cultural e a valorização da aparência continuam impulsionando os gastos das famílias, mesmo em cenários econômicos adversos. Procedimentos antes considerados supérfluos vêm sendo incorporados ao orçamento de uma parcela crescente da população.
Outro fator relevante é o crescimento do chamado “turismo estético”. Clínicas localizadas fora dos grandes centros, como em Campo Grande, têm atraído pacientes de outras regiões do país e até do exterior, em busca de qualidade e preços competitivos. Esse fluxo contribui para a descentralização do mercado e gera impactos positivos na economia local.
Dentro desse contexto, o transplante capilar se consolida como um dos procedimentos mais caros e complexos da área. Além da tecnologia envolvida, o acompanhamento integral do paciente e a necessidade de equipes multidisciplinares elevam o ticket médio, posicionando o serviço como um produto de alto valor agregado.
A leitura desses indicadores revela um mercado aquecido, dinâmico e ainda longe da saturação. Com inovação constante, aumento da demanda, foco crescente no bem-estar integral e maior segmentação, o setor de beleza no Brasil segue como um campo promissor para investimentos.
Por Ana Krasnievicz
